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O amanhã é hoje

Por: Luiz Carlos Prates

12/02/2026 - 07:02

Viver pensando no futuro não é uma boa, é um baú misterioso. O melhor então é fazermos o que temos que fazer agora. Mas tem uma coisa: não pensar no futuro a partir, digamos, dos 40 anos é quase como um tiro no pé. No pé da vida um pouco mais calma, já nem digo tranqüila. Onde quero chegar? À vida dos idosos. Parece que todos queremos viver muito, mas… Viver muito exige uma renda mínima, garantida, e relações humanas cálidas, por perto. Hoje o que mais se vê são filhos voando para longe, para bem longe. Razão? De todas um pouco, mas, não se enganem os ingênuos, mais das vezes para não ter que “carregar” os pais, de um modo ou de outro. E aí surgem as desculpas mais esfarrapadas: estudar no exterior, ir para um grande centro empresarial, ter oportunidades diferentes e melhores, isto e mais aquilo. Mentiras, disfarces, invenções para não terem que viver ao lado dos “velhos”, os pais. Falo de uma predominância de exemplos nessa área e de uma tendência muito bem dissimulada. Então, o que fazer, os pais, os casados e ainda “jovens”? Preparar-se, poupar hoje o dinheiro de que vão precisar “daqui a pouco” e não esquecer dos investimentos humanos, amigos, parceiros, gente que nos pode aquecer a vida nos adiantados da vida. Claro, pessoas que nós também vamos acalentar, afinal, a vida social, a relação com parentes e amigos é uma via em mão dupla. Tem que ser. O enfático desta conversa é não nos enganarmos no “hoje” da vida, achando que o tudo bem de agora vai se estender infinitamente pelo futuro. Todos os dias, aqui ou ali, histórias de idosos abandonados, ainda que com o dinheiro de que necessitam para os gastos cotidianos. A questão maior não são os gastos financeiros, a questão é o abandono emocional, o companheirismo dos filhos aos pais. Agora, entrou na moda, em cidades maiores, as residências comunitárias de idosos, na verdade “asilos” bem montados, mas… Asilos. A vida na velhice exige bem menos de confortos materiais e bem mais de afetos, calores humanos, de preferência filhos, filhas… Esse possível “problema” futuro tem que ser pensado cedo, jamais deixar para depois dos 50… Ademais, filhos que vão para “longe” dos pais idosos nunca foram filhos…

EXEMPLO

Vou perguntar a você, leitora, leitor: imagine-se no Estádio do Maracanã completamente lotado, você no meio do povo. Você se sentiria segura, seguro, com garantia de amparos se precisasse? Duvido. É assim que as pessoas sobre a Terra estão vivendo hoje: todas cercadas por muita gente, mas… Sem ninguém afetivamente ao lado. Vem daí a indispensável preocupação com algum “pertencimento” social, com amigos incondicionais por perto. E mais ainda nos adiantados da vida.

HISTÓRIAS

A Psicologia é uma ciência pesada, o que está bem não é interessante para ela, vem daí que … Vivo lendo e ouvindo histórias danosas envolvendo pessoas, sei bem, fiz Psico. Histórias como as de pessoas que passam a vida juntando dinheiro, acumulando bens para mais tarde se dar conta de que estão sozinhas na vida, vida monótona, sem graça e sem os indispensáveis afetos humanos de que precisamos. Fazer esse investimento, desde cedo, é a verdadeira riqueza.

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FALTA DIZER

Tive um colega jornalista que foi muito famoso em Santa Catarina. Esse sujeito ficou viúvo, foi afundando emocionalmente e… Foi levado para uma “casa geriátrica” pelo filho que “não podia” cuidar do pai. Seis meses depois o colega morreu. Do quê? Ora, solidão e abandono. Duvido que não.

 

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.