Novo homem forte – Cláudio Prisco Paraíso

Por: Elisângela Pezzutti

10/01/2024 - 06:01

Nesta quarta-feira, o governador Jorginho Mello promove quase uma dezena de modificações nos dois primeiros escalões após completar seu primeiro ano de gestão.
As adequações, as reacomodações são colocadas como a necessidade de ajustes na condução de algumas áreas.
Naturalmente, a mudança que mais chamou a atenção diz respeito à indicação do advogado Filipe Mello, caçula do governador, para a Casa Civil.
Seu nome vinha sendo especulado há alguns meses. Aliás, lá na montagem do governo, no apagar das luzes de 2022, já havia se aventado tal possibilidade.
O governador puxou o freio de arrumação, mas o que ocorreu em 2023 foi justamente o protagonismo de Filipe Mello. Tanto nas negociações com a Alesc, para a aprovação de projetos, como também no contexto do próprio Poder Judiciário. Como advogado, ele desfruta de trânsito no TJSC.

Do jogo

Estêner Soratto sempre teve em Filipe Mello sua sombra. Nada que o incomodasse. Até porque a presença do filho do governador facilitava os encaminhamentos. Também porque Soratto, que é deputado estadual, sempre esteve de olho na eleição de Tubarão, onde é o nome favorito para o pleito deste ano.

Formalização

Jorginho está apenas formalizando a atuação do filho. Claro que tem aquela história de que uma coisa é nomear um filho, outra coisa é quando, e se precisar, demiti-lo.

Risco calculado

Filipe Mello pode até completar o período de governo do pai como chefe da Casa Civil.
Mas não podemos perder de vista que, à medida que o filho acumular desgaste, este será diretamente transferido para o governador. Disso não há a menor dúvida. Portanto, é uma operação de elevado risco.

Bônus

Na outra vertente, ele, havendo-se bem no desempenho do cargo – e tem tudo para isso – aí quem capitaliza é o próprio governador.
Isso porque Filipe Mello vai ter autonomia que nenhum outro poderia ter nas negociações com os demais poderes, especialmente junto aos deputados estaduais.

Acelerando

Autonomia indispensável para conferir celeridade às reivindicações parlamentares. Considerando-se que ocorra uma atuação exitosa de Filipe, Jorginho consolidará uma bancada maiúscula na Assembleia e pode estar descortinando um entendimento futuro com dois partidos estratégicos: o PP, de Esperidião Amin; e o MDB, hoje comandado pelo deputado federal Carlos Chiodini, de Jaraguá do Sul. Cidade, aliás, que tem também outro representante do partido, o também deputado Antídio Lunelli (estadual), outra figura referencial do Manda Brasa.

Força

A terceira peça desse tripé emedebista hoje indiscutivelmente é o presidente da Alesc, Mauro de Nadal. À medida que essa relação se consolidar – projeto que poderá passar pelo pleito deste ano –, o quadro poderá oferecer conforto a Jorginho Mello em sua perspectiva de reeleição em 2026.

Factoide

Dentro desse contexto da indicação do nome de Filipe Mello, o PSOL ingressou com um mandado de segurança, querendo impedir a sua investidura. Aliás, a posse dos novos secretários ocorreria na segunda, 8. Precisou ser transferida em função dessa iniciativa do PSOL.

Engana quem?

É um partido manjadíssimo. É uma sublegenda do PT que sempre procura criar factoides para ganhar alguma relevância porque ao natural pode esquecer.

Brincadeira

Daí vem um desembargador, sem ouvir a outra parte, e concede uma liminar impedindo, num primeiro momento, a posse do filho do governador.

Militância

Virou moda no Brasil. O magistrado, curiosamente, teve o lançamento do seu livro merecendo uma atenção toda especial de Guilherme Boulos, deputado federal por SP e candidato à prefeitura da capital paulista. Filiado ao PSOL.

Modus operandi

Não bastasse isso, o referido juiz é conhecido e reconhecido por comportamentos nada convencionais. Sua liminar foi cassada na segunda-feira, mas obviamente que esse rápido imbróglio acabou gerando algum desgaste ao governador.

Inúteis

Quanto ao PSOL, segue na mesma toada de sempre: existe apenas para ajudar o PT a tumultuar, a atrapalhar, a destruir porque não constroem nada. A lançar cortinas de fumaça, a fazer narrativas que só servem para eles. Esse partido acabou desmascarado diante da cassação da liminar.