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Nossas algemas

Por: Luiz Carlos Prates

20/09/2016 - 04:09

Preste atenção aos casais de alguns anos de casamento. O marido quando volta do trabalho, por exemplo, e encontra a mulher na sala, vendo televisão, antes de ir para o banho ele saúda a mulher com um “oi, amor” e “atira” um beijo. Os beijos/beijos vão desaparecendo à medida que o casamento vai ganhando estrada, eles passam a ser “atirados” no ar… Não há mais volúpias nos beijos e, mais das vezes, nem vontade e desejo… Será? Para a maioria, sim. Mas essa falta de “toque” entre as pessoas provoca um “ressecamento” afetivo com duras consequências na vida. Humanos são bichos de toque. Sem toques não há vida.

Dia destes, uma colega me falou de um problema que ela teve no pé e que eu também tive: esporão calcâneo. É um tipinho de inferno que nem é bom lembrar, duro de tratar, severo nas dores. A colega me contou que, recomendada por uma tia, foi à procura de um famoso médico de Florianópolis, especialista nesse tipo de problema. Tratamento de três sessões, cinco minutos cada uma, caríssimo, os olhos da cara. Resultado? Nenhum, a colega saiu como entrou. Não desistiu e, novamente recomendada, foi atrás de uma jovem fisioterapeuta. Poucas sessões e cura total. A diferença entre o médico e a fisioterapeuta segundo a minha colega foi o “toque”, o médico a examinou sem lhe tocar num dedo do pé que fosse, nada; olhou, falou, e ligou a máquina. Zero total.

Já a fisioterapeuta pegou, apertou, torceu, pintou e bordou no pé da moça, toques e mais toques, tudo com ardor, vontade, “amor” mesmo. Curou.

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O toque em nossas vidas é tão importante quanto o ar que respiramos, mas na medicina está em extinção, em grosseira e estúpida extinção. Já os fisioterapeutas são mágicos nos tratamentos, eles são dos toques, ainda que usem de métodos de apoio.

Bom, não vamos longe, os “alívios” da mãe ao filho que cai e esfola o braço. O guri berra. A mãe vai lá, assopra, esfrega a mão dela no machucado e diz pronto, pronto, passou… E passa. Por quê? Porque o toque é amor, é a passagem da energia de alguém inteiro e de boa vontade para alguém em necessidade.

Voltando ao início da conversa, casais que se tocam, que se beijam, fazem sexo sem fazer sexo. Esses toques são o melhor do sexo, são amor. Tão raros esses toques depois de um certo tempinho…

Gostei
O Faustão é do ramo, mas todos os camaradas com visão sabem disso e dizem que ele disse… Faustão disse que – “Ascensão social no Brasil é só para os do futebol, cantores sertanejos e participantes do BBB”. Ele não disse, mas eu pergunto: e por quê? Porque quem eleva esse tipo de gente ao estrelato é o povo apoucado da mente, sem letras nem padrões de qualidade na vida.

Falta dizer
Desapareceram as intimidades. Um desses cantores “sertanejos” descreveu no site da UOL a cirurgia de próstata por que passou. E eu com isso? E a quem interessa tuas entranhas, cantorzinho?

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.