Nossa identidade – Luiz Carlos Prates

Por: Luiz Carlos Prates

28/02/2024 - 07:02

Ao abrirmos a boca nos revelamos, nos revelamos por um bocejo indevido, feio, ou pelo que dizemos. A pessoa pode ser quem for, pode enganar a muitos, mas não enganará a todos. Os delegados de polícia sabem bem disso, o bandido ordinário, o acusado e culpado, começa a falar para se defender e se entrega, se entrega pelos detalhes, pelos lapsos de memória, pela fala claudicante, por incongruências e, sobretudo, pela falta da assertividade. E era aqui que eu queria chegar. Já dei incontáveis cursos de comunicação verbal e oratória para gente de todo tipo, de jovens bem jovens a políticos conceituados. A maioria dos possíveis e eventuais oradores treme quando se vê diante de um grupo e tem que dizer alguma coisa. Vou resumir ópera. Para que haja comunicação é preciso que haja um transmissor – uma mensagem – e um receptor. Alguém tem o que dizer e passa a mensagem para outrem. Costuma ser uma via em mão dupla. Sem a mensagem, sem um conteúdo, não há comunicação. Ocorre que muitas pessoas têm o que dizer, mas se sentem inseguras, vacilam na hora de falar diante de grupos ou mesmo diversas situações. Insegurança? Sim. E essa insegurança vem de um estilo de vida e de a pessoa não acreditar que vão acreditar no que ela tem a dizer. A arma para vencer a insegurança na hora de falar diante de alguém ou de um grupo é – ter o que dizer e crer firmemente nessa mensagem. É óbvio que quando não temos certeza sobre o que vamos falar vacilemos. Então, fique claro, se você tem o que dizer, crê no que tem para dizer, não há o que temer. Temos que crer no que dizemos e entender que nossa mensagem vai fazer bem a quem nos vai ouvir. O resto é floricultura, tipo postura dos ombros, olhar para o horizonte, respirar fundo, meditar antes do discurso ou fala, bobagens que só servem para enganar a torcida. Quem tem o que dizer, crê no que tem para dizer e entende que a mensagem vai ajudar alguém ou esclarecer impasses nas cabeças alheias, abre a boca e manda ver… A grande questão para os inseguros da fala em público é duvidar de si mesmos ou da mensagem a ser passada. Fala, se queres que te conheça!

SERINGUEIRO

De uma feita, voltando de uma palestra que fui fazer na Universidade Luterana de Belém, no Pará, antes do vôo de retorno ouvi, na sala de uns amigos, histórias contadas por um seringueiro amazônico. Um idoso. Falava com muitos erros de português, mas era encantador. Contava histórias fascinantes, todas vividas por ele, os erros de português eram insignificâncias perto da loquacidade, da assertividade dele. É o que vale em comunicação, ter o que dizer e dizer de modo a ser ouvido. Inesquecível.

ERRO

Mais uma vez a velha cena… Tomava um café num shopping de Florianópolis quando a cena de uma mãe com a filhinha, guria de uns três anos, ao lado dela, me agridiu as retinas. A guriazinha empurrava um carrinho de brinquedo com uma boneca dentro. Ah, ela vai ser mãe um dia! Quem garante? Ademais, um guri empurraria o mesmo carrinho? Pobrezinha da menina!

FALTA DIZER

Primeiras semanas do ano letivo já foram. Fevereiro está dando tchau. Será que os papitos e mamitas estão em cima dos filhos, cobrando o estudo caseiro, sabendo de como estão indo na escola…? Coisa nenhuma. Deixam tudo para o fim do ano. Pais de “cio”.