No pé do ouvido

Por: OCP News Jaraguá do Sul

16/04/2016 - 04:04

E se as coisas fossem como nos desenhos animados, onde nos aparece um anjinho e um diabinho em cada ombro, como seria?

Lá estaria tal importante político, com uma verba de milhões (bilhões) dando sopa, sem pensar em nada, até que “pluf”, aparece o sujeito do bem no ombro (se é na esquerda ou na direita, eu não sei). E diz:

– Veja quanto dinheiro. Que tal construir escolas e creches, equipá-las e dar condições para uma porção de crianças e jovens estudarem? Você faria o bem para inúmeras pessoas, elas lhe admirariam, lhe seriam gratas e, no final, você estaria usando o dinheiro para o objetivo verdadeiro dele.

– Você tem razão. Iria ajudar um monte de gente.

“Pluf”, aparece el diablo.

– Você não deve nada a eles. Faz assim, compra um monte de obra de arte e guarda como investimento. Ninguém vai ver, porque você terá que esconder. Você não entende bulhufas de arte, vai ter um objeto de altíssimo valor subjetivo, porém, terá uma grande sensação de poder.

– Mais justo, né?

– Claro, o povo tem memória curta. Nem vai lembrar que você fez escola.

– E nem que eu roubei, se descobrirem.

– Claro. Ó o Collor, por exemplo. Tá aí…

– O voto já foi comprado, já dei a parte deles.

– Pense no que é correto, meu amigo. Não vai atrás disso. Com essas obras de arte você não ajuda ninguém, gasta todo dinheiro e fica com uma peça que deveria estar num museu. Que valor isso terá no porão da sua casa?

– Pois é… Difícil… Mesmo assim acho que vou opinar pelas obras de arte, mais prático, né?
Mas, não seria só com políticos. Em casa também. O sujeito tá lá, de boa, e bate aquela fome. Vai até a cozinha e vê que a esposa preparou, com todo carinho do mundo, uma bela salada de frutas.

“Pluf”, o anjinho:

– Que beleza, hein? Saudável, feita no capricho.

“Pluf”, o diabinho:

– Mas, e aquela Ruffles que tá na despensa? Com uma Soda ia que ia, não é?

– Não dê ouvidos a ele. Come essa saladinha saudável. Gostosa, natural.

– Caríssimo. Se sua esposa fez, ela vai querer comer também. Que tal deixar para comer com ela, de noite? Nesse momento uma Ruffles com Soda seria mais adequado, não acha?

– É… Ela vai querer comer a salada de frutas comigo. Vou de Ruffles.

Se fosse desse jeito, no ombro da nossa presidenta, nesse momento, ia estar mais ou menos assim:

De um lado, segurando um patinho amarelo, um deles gritando: Renuncia!

E do outro lado, com um balão da CUT, o outro gritando: É golpe!