Já ouvi muita gente suspirando para ir morar em São Paulo, outros para irem para a Bahia, incontáveis outros querendo dar no pé da cidade em que moram… Por quê? Várias desculpas: cidade pequena, poucos empregos, cabeças atrasadas (dos outros, é claro), gente mesquinha, ninguém ajuda ninguém… Desculpas que muito mais revelam a pessoa queixosa do que outras questões quaisquer. E digo isso lendo uma manchete que se tem repetido internacionalmente, esta: – “Entenda o que torna a Finlândia o país mais feliz do mundo”. Essa revelação resulta de pesquisas contínuas sobre locais mais felizes aqui na Terra. A pesquisa é feita pela Universidade de Oxford e pela Gallup. Vou encurtar a conversa para falar o que penso dessa pesquisa. A Finlândia, na Europa, é considerada o país de pessoas mais felizes no mundo porque há na Finlândia uma segurança pública que não há em outros lugares, colégios de qualidade, saúde pública, tudo do bom e do melhor e gratuito. Natureza admirável e povo educado e amigo… Sim, mas agora a pergunta: e essa condições garantem felicidade? Óbvio que não, o pessoal da pesquisa levanta questões coletivas e sociais de bem-estar, um bem-estar gerado por políticas abrangentes, mas… A felicidade pessoal não se alicerça em questões de ordem social e coletiva. Felicidade é uma vivência pessoal, só depende da pessoa, só. Se alguém se mudando para a Finlândia fosse ter, garantidamente, a felicidade no coração, ah, o mundo já teria se mudado para lá. Mas as pessoas sabem, por intuição ou mesmo instinto, que felicidade não vem de fora, não vem da casa, do salário, do carro, dos falsos prestígios, dos “milhões” de trapaceiros seguidores na Internet e por aí…. Felicidade se constrói, seja onde for. Americanos descobriram, há muitos anos, que havia presidiários felizes, felizes no cárcere… E quantos ricaços, quantos casados com “misses” e elas com ordinários bonitões, quantos aparentemente felizes são raivosamente infelizes? Então, paremos com essa estupidez de continuar imaginando que a felicidade está sempre “lá e então”, lá, em outro lugar, e então, em outro momento. Aposto este dedinho, o pequenino da minha mão direita, que muitos finlandeses se conhecessem Santa Catarina iam dar também um dedinho para vir para cá… E quantos daqui pensando em ir para lá? Credo, o mundo, de fato, é dos bobões.
PREGAÇÕES
Todos os que vivem pregando virtudes religiosas, sobre os teatrais palcos de pregação, não devem ser levados a sério senão depois de muito e bem conhecer esses tipos. Pregar virtudes, pedir dinheiro em nome de “Deus”, jurar bem-aventuranças geradas por credos religiosos são mensagens “publicitárias” disfarçadas em credos e fé. Acreditar nesses tipos só depois de conhecê-los profundamente. E como se faz isso? Talvez, e olhe lá, numa psicanálise, que pode ser na salinha dos fundos…
DEUS
Cresci ouvindo a frase – “Deus habita em mim”. Ora, se Deus habita em mim – em nós – eu sou, todos somos, a “casa” de Deus. E em sendo assim, vou desrespeitar a “casa” do Senhor? Vou riscá-la toda, vou desrespeitá-la com abusos sexuais, sexo promíscuo ou com bebedeiras e drogas, com falta de respeito, enfim, vou? As pessoas, nós todos, precisamos pensar um pouco antes de dizer bobagens e ao mesmo tempo fazê-las.
FALTA DIZER
Numa pesquisa publicada pela Folha SP ficamos sabendo que sete em 10 professores brasileiros já viram meninos desrespeitando sexualmente garotas, colegas. – Ah, mas não na “minha” escola. Esses “meninos” ficariam “alguns minutos” na salinha dos fundos, uma experiência inesquecível para eles, e depois seriam expulsos. Sem discussões nem papais prepotentes e canalhas.