É impressionante o adestramento da mídia impressa brasileira. Com raríssimas exceções, o que se observa é sempre uma tentativa de poupar o governo, o Planalto, Lula da Silva, o PT e a esquerda, e no que for possível, destruição na direção das candidaturas conservadoras, especialmente a do senador carioca Flávio Bolsonaro. Esse comportamento se observa no tratamento dispensado às notícias do dia a dia e também nas leituras das pesquisas de opinião, sempre muito seletivas. E nem vamos entrar na questão da confiabilidade dessas pesquisas, porque assim como os veículos, os institutos merecem aquele tratamento todo especial da esfera do poder federal, via agências de publicidade. O ministro André Mendonça, do Supremo, aliás, já solicitou à Secretaria de Comunicação do governo Lula informações sobre os gastos de propaganda em 2025 e 2026, para verificar se estão dentro da proporcionalidade exigida pela legislação eleitoral. Somando administração direta, autarquias e estatais como Petrobras, Correios e outras, estamos falando de uma conta bilionária.
A narrativa da solidão de Flávio
Feita essa preliminar, vamos ao ponto. A mídia tem falado insistentemente que Flávio Bolsonaro ficou sozinho, que não conseguiu ninguém do Centrão, seja a União Progressista, o MDB, o Podemos ou o Republicanos. Mas conhecemos muito bem como o Centrão trabalha. Esses partidos adotam neutralidade para ver como o panorama evolui e então definir, no segundo turno, com quem vão ficar, aquele que apresentar as melhores perspectivas. Afinal, a intenção é participar da nova administração. É o jogo de sempre.
Chapas puras por toda parte
Pouco se falou que Ronaldo Caiado fez chapa pura com Gilberto Kassab, presidente do PSD, como vice. Romeu Zema fechou com o senador cearense Eduardo Girão, também chapa pura. E agora Flávio Bolsonaro foi buscar Alfredo Gaspar, deputado alagoano, como vice. Aliás, o melhor nome dentre todos sondados e especulados nos últimos meses. O liberal vai ficar com um minuto a menos de tempo de televisão em relação a Lula. Mas não é isso que vai fazer a diferença no frigir dos ovos.
Coligação Lula
Ah, mas Lula foi o único dos quatro grandes candidatos a conseguir uma coligação. Ora, ele é o único candidato de esquerda, está no poder e tem todos os atrativos. Como não conseguiria? O vice é Geraldo Alckmin, do PSB, aquele que era do Opus Dei quando integrava o PSDB e virou esquerdista. Com PDT, PCdoB, PV e um elenco de partidos ao lado. Já entre os conservadores, os três candidatos ficaram sem Centrão. E não foi por falta de tentativa.
Bilhões para não coligar
Flávio polariza com Lula e teria condições de atrair o Centrão. Não conseguiu por pressão direta do governo, que liberou 15 bilhões em emendas parlamentares para deputados e senadores semanas atrás. O recado estava claro: não coliguem. O estímulo financeiro foi o instrumento. E funcionou.
Supremo na gaveta
Sem falar na pressão de ministros do Supremo Tribunal Federal, que quando consultados diziam, nas entrelinhas, que era melhor não coligar. Afinal, havia processos de dirigentes partidários, deputados e senadores do Centrão guardados na gaveta, esperando a hora certa. Essa é a realidade do Brasil hoje. O conluio entre Planalto e Supremo, Executivo e Judiciário, que denunciamos há mais de três anos, continua belo e formoso, à luz do dia, sem constrangimento, sem cerimônia e sem ficar vermelho. E a independência entre os poderes? Vejam só.