O resultado das eleições de 2026 deixa ao Vale do Itapocu uma reflexão que não pode terminar com a contagem dos votos. A região sai das urnas com uma representação política significativamente menor do que aquela conquistada em 2022, e isso terá consequências nos próximos quatro anos.
Há quatro anos, Jaraguá do Sul conseguiu eleger dois deputados federais, Carlos Chiodini e Fábio Schiochet, e dois deputados estaduais, Antídio Lunelli e Vicente Caropreso. Era uma bancada com acesso direto a Brasília e à Assembleia Legislativa, capaz de dividir esforços, abrir portas e defender diferentes demandas de uma região que cresce acima da média, produz riqueza e ainda convive com gargalos históricos.
Em 2026, esse cenário mudou. Vicente Caropreso garantiu a reeleição para a Alesc, mas a região perdeu cadeiras importantes. Fábio Schiochet recebeu mais de 80 mil votos e, ainda assim, ficou fora da Câmara dos Deputados. Rodrigo Livramento também teve votação expressiva, com mais de 40 mil votos, mas não conseguiu uma vaga em Brasília. Lunelli não conquistou uma das cadeiras ao Senado, enquanto Carlos Chiodini disputou como vice-governador em uma chapa que terminou apenas na terceira colocação.
Durante a campanha, o OCP defendeu a importância do voto útil e da valorização de candidaturas com vínculo efetivo com o Vale do Itapocu. Não se tratava de impor nomes ou partidos, mas de chamar a atenção para uma realidade simples: regiões que elegem seus representantes aumentam sua capacidade de serem ouvidas.
As urnas mostraram, porém, que o eleitorado regional não conseguiu transformar todo o seu peso populacional e econômico em representação política proporcional. Quando os votos se dispersam e não resultam em cadeiras, outras regiões ocupam esse espaço.
E isso tem efeito prático. A duplicação da BR-280, investimentos em saúde, segurança, educação, mobilidade, infraestrutura e recursos para os municípios dependem também de articulação política. Quanto menos representantes diretamente comprometidos com essas pautas, maior será o esforço necessário para colocá-las entre as prioridades do Estado e da União.
A democracia respeita a escolha individual de cada eleitor. Mas toda escolha produz consequências coletivas. O Vale do Itapocu continuará forte economicamente. O desafio, a partir de agora, será impedir que essa força econômica conviva com um peso político menor do que a região merece.