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Lula cobra reverência, enquanto Flávio reforça seu palanque em SC

Por: Claudio Prisco Paraíso

22/09/2026 - 06:09

A passagem dos presidenciáveis por Santa Catarina deixou um contraste político. Lula apareceu ao lado de Gelson Merísio em Florianópolis. Flávio Bolsonaro percorreu Joinville e Chapecó, reforçando a associação com Jorginho Mello.

Para Merísio, o encontro mostrou quem é o candidato de Lula ao governo estadual. A fotografia resolveu a identificação. O discurso do presidente, porém, trouxe um problema junto.

De joelhos?

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Ao relacionar os recursos destinados pelo governo à agricultura, Lula afirmou que o agro deveria se ajoelhar diante dele. Mesmo apresentada como uma comparação pelo volume de financiamento disponibilizado, a expressão revela uma concepção arrogante da relação entre governo e sociedade.

O produtor trabalha, assume riscos e paga impostos. Crédito e políticas públicas não são presentes tirados do bolso do presidente. Cobrar reverência por administrar recursos públicos é confundir o cargo com um trono.

O preço da fala

Lula tinha uma oportunidade para reduzir resistências em um estado onde o agronegócio tem enorme relevância. Preferiu uma cobrança que oferece munição aos adversários.

O produtor pode reconhecer uma medida positiva e continuar rejeitando o governo. Democracia não estabelece dívida de gratidão eleitoral.

Merísio no quadro

Merísio agora terá de administrar o pacote completo dessa associação. A presença de Lula ajuda a identificá-lo entre os eleitores do presidente, mas também o vincula às declarações que provocam resistência fora desse espectro eleitoral.

A imagem fortalece o vínculo político, enquanto o conteúdo pode dificultar a ampliação da candidatura. O apoio nacional tem valor, mas também tem custo.

Flávio e Jorginho

No Norte e no Oeste, Flávio reforçou a parceria com Jorginho Mello. É uma associação com potencial de benefício recíproco: o governador mobiliza sua estrutura política, e o presidenciável estimula a base bolsonarista.

Na avaliação desta coluna, a passagem foi produtiva para esse projeto. Enquanto Lula abriu uma nova discussão com o agro, Flávio teve espaço para reafirmar sua oposição ao PT e valorizar a gestão catarinense.

Reforço para Carlos

A visita também interessa diretamente à campanha de Carlos Bolsonaro ao Senado. A presença do irmão presidenciável amplia sua exposição e reforça o apelo do sobrenome junto ao eleitorado conservador.

Mas prestígio familiar não elimina a concorrência. Carlos disputa espaço com Carol de Toni, da mesma legenda, e com Esperidião Amin, cuja trajetória em Santa Catarina representa um patrimônio eleitoral próprio.

Três para duas

A pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 17 de setembro, apresentou Carol com 24%, Amin e Carlos com 20% cada. O levantamento, com margem de dois pontos, descreveu empate técnico entre os três.

Há duas vagas e três candidaturas competitivas nesse campo. A força do bolsonarismo pode favorecer o PL, mas não garante que os dois eleitos sejam do partido.

Amin resiste

Amin ficou fora da composição do PL para as duas vagas, mas continua na disputa com condições de levar. Sua presença impede que a eleição seja tratada como simples distribuição de cadeiras entre os escolhidos da família Bolsonaro.

O eleitor conservador tem alternativas. Pode apoiar Flávio para presidente, Jorginho para governador e fazer uma escolha diferente para o Senado. Apoio político não equivale a procuração sobre todos os votos.

A reta decisiva

A leitura desta coluna é que Jorginho dispõe de um cenário favorável para buscar a reeleição no primeiro turno. O PL e seus aliados também têm oportunidade de ampliar suas bancadas. O tamanho dessa vantagem, porém, será definido nas urnas.

O Senado permanece como um dos pontos mais disputados da eleição catarinense. Nas duas semanas finais, a direita precisará decidir como distribuir sua força. Lula, por sua vez, deveria aprender: pedir votos exige mais respeito e menos cobrança de reverência. Ninguém gosta de ser humilhado.

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