Santa Catarina recebe neste sábado os dois protagonistas da disputa presidencial. Na programação apresentada, Lula estará pela manhã na Praça Tancredo Neves, em Florianópolis. Flávio Bolsonaro terá agenda em Joinville e, à tarde, em Chapecó.
Serão demonstrações de força. Lula tenta renovar o entusiasmo de sua base. Flávio busca transformar o sentimento antipetista em mobilização e votos.
Disputa apertada
O Datafolha apresenta Lula com 46% e Flávio com 44% no segundo turno. É um retrato que exige cautela de quem já trata a eleição como resolvida.
Também seria precipitado decretar o favoritismo de Flávio. A oposição tem espaço para buscar a vitória, mas precisa converter expectativa em resultado. Eleição apertada não se ganha com comemoração antecipada.
O peso do Supremo
A crise do STF oferece à direita um argumento de campanha que o Planalto preferiria evitar: a cobrança por limites, transparência e responsabilidade de autoridades que acumularam enorme poder.
Na leitura desta coluna, a associação política de Lula com a defesa de Alexandre de Moraes aumenta seu desgaste. Isso não significa que cada oscilação nas pesquisas possa ser atribuída ao Supremo. Significa que o presidente tem mais um problema para explicar.
Socorro eleitoral
O reajuste de aproximadamente 15% do Bolsa Família chega na reta final da eleição. O governo apresenta a medida como recomposição do poder de compra. Politicamente, porém, o calendário fala alto.
Ajudar famílias vulneráveis é necessário. O questionário é outro: por que a resposta ganha tamanha urgência justamente quando o eleitor está prestes a decidir? Benefício social é política pública e não pode ser tratado como favor de candidato.
A conta fica
O aumento também exige acomodação no orçamento. A campanha pode celebrar o anúncio, mas alguém terá de explicar como a despesa será financiada.
O brasileiro precisa de renda que dure, emprego e preços que caibam no salário. Medidas de última hora não substituem uma política econômica capaz de devolver tranquilidade às famílias. O palanque passa; a conta permanece.
Senado em foco
O desgaste do Supremo pode pesar especialmente na disputa pelo Senado. A eleição dos senadores ganha importância para quem cobra fiscalização e responsabilidade dos integrantes da Corte.
Para a direita, esse debate precisa sair da indignação genérica. O eleitor deve saber quais compromissos cada candidato assume e como pretende exercê-los dentro da Constituição. Discurso inflamado sem atuação posterior é apenas propaganda.
A força catarinense
Santa Catarina oferece a Flávio um ambiente favorável para ampliar a mobilização conservadora. Mas herança política não é transferência automática de votos.
A referência é a votação expressiva de Jair Bolsonaro em 2022. Aproximar-se daquele desempenho exige organização, presença e capacidade de dialogar também com quem rejeita o PT, mas ainda não se decidiu pelo filho do ex-presidente.
Fadiga de poder
Lula disputa a Presidência pela sétima vez. Sua trajetória assegura reconhecimento, mas também permite à oposição explorar o cansaço com um projeto político que ocupa o centro do debate nacional há décadas.
Flávio tem a oportunidade de apresentar a alternância como caminho. Para aproveitá-la, precisa mostrar o que pretende fazer com a economia, a segurança e o funcionamento das instituições. A rejeição ao adversário abre portas; uma proposta consistente ajuda a conquistar a confiança.
O teste das ruas
Os atos deste sábado serão um teste de mobilização. Público em praça não substitui pesquisa nem urna, mas revela disposição para fazer campanha.
Lula precisa demonstrar capacidade de reação. Flávio precisa dar consistência à promessa de mudança. Em Santa Catarina, a direita tem terreno para crescer. Com Flávio Bolsonaro em viés de alta no plano nacional, a tendência é que mantido esse panorama, aqui em SC ele tem tudo para repetir as votações do pai Jair em 2022, que foi de 62% no primeiro e 69% no segundo turno.