Entre os adversários de Jorginho Mello na disputa pelo governo em 2022, Odair Tramontin conquistou um mandato nesta eleição: deputado estadual pelo Novo. Os principais concorrentes daquela campanha ficaram pelo caminho. O contraste é brutal. Enquanto Jorginho se reelege e amplia seu poder, antigos rivais precisam encontrar uma porta para voltar ao jogo.
Bateram na trave
Gean Loureiro ficou na suplência da Assembleia. Carlos Moisés, que em 2022 disputava a reeleição como governador, recebeu pouco mais de 33 mil votos para deputado federal e não se elegeu. Um encolhimento político impressionante. O passado no Executivo não assegurou sequer uma cadeira no Legislativo. Prestígio não se conserva em prateleira.
O rolo compressor
Esperidião Amin fez uma belíssima campanha e obteve votação significativa, mas acabou superado pelo rolo compressor bolsonarista. Carlos ficou com a segunda vaga ao Senado, atrás de Carol de Toni. Décio Lima, adversário de Jorginho no segundo turno de 2022, terminou em quarto. Trajetória e experiência não bastaram para conter a força eleitoral do PL.
Dois nomes
A sucessão de 2030 tem dois nomes naturais no campo governista: Carol de Toni e Adriano Silva. Se Jorginho decidir disputar o Senado, o vice poderá assumir o governo e buscar a continuidade no cargo. Carol chega com quase 2,7 milhões de votos e oito anos de mandato. Uma jovem e promissora liderança, com musculatura para disputar protagonismo. A posição de Jorginho será decisiva.
O Novo encolheu
Adriano terá a vantagem institucional da vice-governadoria, mas seu partido saiu pequeno da eleição proporcional. O Novo elegeu Tramontin, de Blumenau, e reelegeu Gilson Marques (federal), sem manter Matheus Cadorin, de Joinville, na Assembleia. Dois mandatos.
O PL conquistou 16 estaduais, sete federais, dois senadores e o governo. A diferença é avassaladora. O cargo favorece Adriano; o tamanho do partido fortalece Carol.
João e Merísio
João Rodrigues terminou com 13,35% dos votos. Para reconstruir seu espaço, poderá ter de percorrer o caminho tentado por Gean: buscar uma deputação estadual ou federal. Depois dessa derrota, insistir no mesmo projeto exige mais que vontade.
Gelson Merísio pode encontrar uma oportunidade em Florianópolis em 2028. A Capital oferece à esquerda terreno mais competitivo que boa parte do estado. Disputar a prefeitura permitiria transformar visibilidade estadual em projeto municipal, desde que construa alianças e organização. Ele reside aqui há quase 30 anos.
MDB sem fôlego
O MDB precisa de oxigenação. Elegeu apenas um deputado federal e quatro estaduais. Para um partido que já comandou Santa Catarina, é um retrato incômodo do espaço perdido.
Antídio Lunelli aparece como única alternativa para uma candidatura majoritária. Tem experiência administrativa, passagem pela Assembleia e perfil empresarial. Sua campanha ao Senado começou tarde. Agora, o partido precisa decidir se construirá uma liderança ou continuará apenas administrando seu encolhimento.
A fila do PT
Décio disputou o governo em 2018 e 2022 e o Senado em 2026. Três majoritárias sem vitória. O PT precisa olhar além da repetição.
Ana Paula Lima, reeleita federal com mais de 200 mil votos, tem credenciais para ocupar esse espaço. Pedro Uczai também é alternativa. Luciane Carminatti, com 124.590 votos, voltou a ser a segunda mais votada para a Assembleia, atrás apenas de Ana Campagnolo. Há nomes com voto. Falta transformá-los em um projeto competitivo para o estado.
Reconstruir ou sumir
PP, União Brasil e outros partidos terão de mostrar quem pode disputar o comando estadual. O vazio de liderança majoritária não se resolve com nostalgia nem com uma reunião de dirigentes na véspera da eleição.
Jorginho tem poder para influenciar sua sucessão. Carol e Adriano têm caminhos para disputá-la. Aos adversários, cabe reconstruir discurso, identidade e organização. Quem continuar vivendo do tamanho que já teve corre o risco de ficar ainda menor.