Se você é da geração criada em frente ao PC, hiperconectada, prefere filmes de ação, como os superheróis da Marvel, e não é chegado em clássicos do cinema estadunidense, talvez pense que o ‘homem de lata’ em questão deve ser um desses personagens de HQs, ou até mesmo uma forma figurada para lembrar os cavaleiros medievais. Ou quem sabe ainda um dos enlatados da década de 1960, com seres do espaço metalizados? Mas, não! Nada disso! Porém, os que já assistiram, ou pelo menos ouviram falar em “O mágico de Oz”, estrelado por Judy Garland, em 1939, possivelmente devem saber que o personagem em questão, o Tin Man, era um ser insatisfeito, encontrado pela garotinha Dorothy, que seguia a estrada das pedras amarelas. Ele estava com as articulações enferrujadas, após tempos ao relento. Resgatado e devidamente azeitado com óleo de máquina, o homem de lata recobrou os movimentos, mas permanecia com um vazio interior, porque tinha o peito metálico oco: faltava o coração. vingadores-de-oz-a-era-do-homem-de-lata-a-melhor-parodia-feita-ate-agora Por que lembrei desse filme? Por uma razão bem simples. Essa semana, cansada de assistir filmes e seriados repetidos da TV a cabo, optei por rever “O mágico de Oz” no Youtube, não sem antes pesquisar sobre curiosidades das filmagens, um marco do cinema norte-americano, que iniciava as gravações em technicolor. Pude descobrir que o ator que deu vida ao homem de lata teve uma irritação nos olhos por conta da maquiagem prateada... E enquanto assistia ao filme, com uma narrativa pra lá de ingênua, comparada aos dias atuais, naturalmente comecei a fazer uma analogia do “homem de lata” da ficção com uma parcela da população masculina que se porta de forma semelhante: ao mesmo tempo que são atrativos e fascinantes, esses reluzentes ‘homens prateados’, que pode ser tanto um intelectual brilhante, um carreirista, ou ainda um sedutor carismático, são tão frios quanto uma chapa de metal. Como o homem de lata ficcional, também parecem carecer de um “coração”. Porém, é preciso que sejamos justos em admitir que essa frieza não é uma característica meramente masculina e também pode ser encontrada entre mulheres. De qualquer forma, creio que nesse século 21, de relacionamentos descartáveis e pouco duradouros, paqueras eletrônicas, aplicativos que favorecem encontros casuais e sem um pingo de sentimento, falar de sentimentos pode soar meio estranho, não é mesmo? Talvez... E você, leitor, o que acha? Conhece algum homem de lata?