Os servidores públicos municipais de Florianópolis e o prefeito Gean Loureiro nunca viveram, digamos, uma lua de mês desde o início do governo, em janeiro de 2017. No máximo uma convivência minimamente respeitosa no melhor estilo cada um na sua. Na maior parte do tempo a relação sempre foi tensa à divórcio litigioso. Ano passado Gean nem sequer tinha esquentado a cadeira e já encarava uma paralisação de 38 dias por conta do pacote da então reforma administrativa. Aprendeu a trocar pneu com o carro andando. O Sintrasem, sindicato da categoria dos funcionários, sabe a força que tem. A estabilidade no emprego é uma espécie de elixir para quem deseja cruzar os braços neste Brasil conflagrado. A pauta da hora é a votação do projeto de lei que autoriza o governo a contratar organizações sociais para tocar a saúde e educação. O município não tem mais como gastar por conta da... folha do funcionalismo. Isso oficialmente. Porque o pano de fundo, mais uma vez, é a queda de braço entre prefeitura e sindicato. Do lado dos servidores o discurso é contra a terceirização de duas áreas que sempre foram referências na Capital: saúde e educação. Pelo Executivo a tese é de que o dinheiro acabou. Ou contrata a OS ou as unidades de saúde e creche ficarão fechadas, mesmo que concluídas. Entidades como Acif e CDL saíram em defesa do projeto. Fizeram seu papel institucional. Uma coisa é certa: desde que funcione, ninguém quer saber quem está pagando a conta de serviços essenciais ao cidadão. Gean mudou a estratégia em relação a 2017. Desta vez partiu para uma comunicação massiva nos veículos em defesa do projeto. Mas pecou no detalhe. Faltou combinar com os russos. No caso, o Sintrasem. De novo: um projeto enviado em regime de urgência, sem discussão antecipada com a sociedade, é munição para quem sabe criticar. A previsão é de uma negociação que pode arrastar-se pelo menos até a próxima semana. Uma boa conversa certamente reduziria os pontos de fricção. Isso na teoria, porque na prática a greve tem gosto, cor e sabor de paralisação política. E nesta briga entre o rochedo e o mar, quem sofre mais uma vez é o cidadão. Justo aquele que depende da creche para deixar o filho para trabalhar. Ou da consulta ao médico para tratar a dor no joelho. Direitos básicos colocados em segundo plano em mais uma paralisação que já ganha ares de tradição no calendário de Florianópolis.