Conjugação verbal, acentuação, advérbios, pronomes, adjetivos, substantivos, pontuação, sujeito, oxítonas, hiatos, ditongos, gerúndio, preposição, antônimos, concordância... Há quem perguntará: “Qual o motivo de citar a tabela periódica? O que eu quero com química?” e também quem diga: “Que língua é essa?”. A tal da Gramática tem várias definições. Uma delas vem do Houaiss: Conjunto de prescrições e regras que determinam o uso considerado correto da língua escrita e falada. Outra, de um jovem de catorze anos que perguntei, agorinha, ali na esquina: “Gramática? Acho uma viagem”. E como esta, existem tantas outras que se resumem em “é só pra complicar”, “o que importa é que o outro entenda”, “é coisa do século passado”. Cada dia mais, nos deparamos com erros de português básico, que vão se tornando normais, seguidos do “deixa assim mesmo” e do “todo mundo faz assim”. E julgam que escrever certinho é coisa de gente que quer se achar a elite da nação, quer estar por cima da carne seca. É só abrir o Facebook que, em poucos segundos, encontraremos algo do tipo: “Gostou? Curti e Compartilha” e “O que vcs acharão disso? Se vc comcorda com migo da um curti”. Eu não sei como funciona (se funciona) nos colégios de hoje (públicos e privados), mas, no meu tempo, além de fazer fila e tomar distância, tinha um esquema quase militar. A professora nos mandava repetir: “Antes de P e B, só M eu posso escrever”. Até hoje, quando leio um Comcorda, Enbalagem, Inprevisto, Inpressão, Camto, vem a voz da professora Raquel no meu ouvido: Antes de P e B, só M eu posso escrever! Às vezes eu tremo, choro, deito em posição fetal e respondo à (opa, isso é crase, nunca é usada para palavras masculinas. Podemos até pecar pela falta, mas não pelo excesso) voz: Eu sei, eu sei! Curioso é que saímos de cavernas para viver em sociedade e inventou-se o alfabeto para estabelecer uma comunicação e registros entre povos e pessoas, acabando com a necessidade de gravar desenhos em pedras e paredes (gravuras rupestres, hieróglifos) e, agora, vivemos num mundo que nos isola, cada vez mais, dentro de nossas cavernas, falando por Emojis (carinhas no celular). Isso sem falar em Mal e Mau, Plurais e Pontuação. Novamente me vem a professora Raquel e o “bilhete de previsão do futuro da cigana pro soldado”: Irás voltarás não morrerás na guerra. Ela sempre acertava a previsão, dizendo que eles estavam lendo errado. Era: “Irás. Voltarás? Não! Morrerás na guerra.” Ou era: “Irás, voltarás, não morrerás na guerra.” Bem, como tudo nesse país, não sabemos qual será o futuro dessa coisa toda. Resta-nos sentar e esperar. E, só para não deixar em branco sobre o grande assunto da semana: Temer na presidência nunca seremos roubados. Pontue como achar melhor.