Mesmo durante o auge da crise nós continuamos nos modernizando, investindo em tecnologia, inovação e talentos e preparamos as rotas estratégicas setoriais até 2022 - em todas as regiões do Estado - dos 16 setores da economia que são portadores de futuro. Será uma das razões fundamentais para Santa Catarina sair da crise na frente dos outros Estados”. Esta é a convicção do presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, no seu depoimento sobre o futuro de SC, série iniciada na semana passada, com o governador Raimundo Colombo e o presidente da Embratur, Vinicius Lummertz. Côrte também faz parte do seleto time dos “ideólogos” do desenvolvimento catarinense: advogado formado pela UFSC, tem especializações internacionais nos EUA e na Suiça e na Fundação Getúlio Vargas. Em novembro esteve em Washington a convite do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde apresentou o Movimento Santa Catarina pela Educação no Diálogo Empresarial das Américas. geral_evento A criação e a liderança desse movimento, que ganhou a adesão das outras entidades patronais e de trabalhadores de SC, fez com que o presidente da Fiesc ficasse conhecido como o “Senhor Educação”. A nossa conversa sobre o futuro de SC foi em Rio Negrinho, no Planalto Norte, para onde Côrte levou o seu estafe para mais uma ação de futuro: apresentar todo o potencial da Fiesc, Sesi, Senai, Instituto Euvaldo Lodi e Observatório da Indústria para a realização de parcerias com prefeituras. “Não temos responsabilidade apenas com o desenvolvimento da indústria, mas de SC como um todo”, discursou ele (foto) para um auditório lotado, ao lado do prefeito Julio Ronconi. “O que distingue a economia catarinense das demais é a nossa indústria, por sua diversificação e desconcentração, um modelo concebido no Governo Celso Ramos (1961/66), que permite a coexistência da indústria tradicional com as chamadas indústrias emergentes, de ponta, de alto valor agregado aos seus produtos”, disse à coluna. linha azul Cidades “Estamos apoiando as medidas que os prefeitos vêm tomando para racionalizar as despesas, e preservando, sobretudo, as áreas de Educação e Saúde”, diz o presidente da Fiesc a respeito do trabalho da entidade em parceria com os municípios, para melhorar a gestão pública e oferecer os inúmeros programas sociais e educacionais do Sesi, Senai e IEL. “É bom lembrar que para esta aproximação entre a Fiesc e o setor público nós criamos a Investe SC, uma agência de captação de investimentos única no país”, acrescenta Glauco Côrte, ressaltando que “não foi criado um cargo público sequer”. O presidente da Fiesc acredita que “já no segundo semestre de 2017 passaremos a colher os frutos de todo o trabalho do PDIC, do Observatório da Indústria, da parceria com as prefeituras e da Investe SC. Estou convencido de que estamos no limiar de um novo ciclo econômico, com a redução dos juros, inflação controlada e uma série de medidas tomadas”. Ele tem certeza de que SC sai na frente neste salto para o futuro: “Veja que no caso da indústria, que é apenas um exemplo, nós caímos menos que São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul. Com certeza estamos na primeira fila dos estados que antes vão sair da crise”. Côrte termina a entrevista com o mesmo conceito que começou: “Mas isso só é possível por causa da diversificação da nossa economia, o que dá equilíbrio a todos os setores”. linha azul "Grande desafios são talentos" Lembrando que 65% das crianças que nascem agora terão profissões que ainda são desconhecidas, Glauco José Côrte garante que “nos próximos anos vamos investir em novas plataformas para acompanhar a chegada da Indústria 4.0, a quarta revolução industrial, que já se dá na Alemanha e nos EUA e faz a conectividade entre máquinas, equipamentos e seres humanos, integrando todo o sistema”. Nesta linha, o presidente da Fiesc diz que SC já desenvolve novos caminhos, seja como um polo de Saúde para o país, seja pela Economia do Mar, “que se desenvolve por mais de 500 quilômetros de costa, porém, aproveita a cadeia produtiva de todas as regiões do Estado”. Também destaca os nossos polos tecnológicos, “já reconhecidos como de excelência nacional e até internacional”, mas diz que “o grande desafio do futuro de SC é preparar talentos, trabalhadores qualificados e empreendedores para prosperar dentro de um novo mundo – vamos modernizar o tradicional e voltar a nossa cabeça para as novas tendências mundiais”. linha azul Rota do PDIC Para estruturar o desenvolvimento de SC nos próximos anos, a Fiesc fez um gigantesco trabalho chamado Plano de Desenvolvimento da Indústria Catarinense, ou PDIC 2022, ano em que se pretende estejam cumpridas as rotas estratégicas traçadas para os 16 setores portadores de futuro. É importante listar cada um desses setores: agroalimentar, bons de capital, papel e celulose, cerâmica, construção civil, energia, metalmecânica e metalurgia, móveis e madeira, produtos químicos e plástico, tecnologia da informação e comunicação, têxtil e confecção, saúde, indústrias emergentes, meio ambiente, economia do mar e turismo. “Depois de definidas as rotas estratégicas, temos o Masterplan, que tem por objetivo consolidar os principais pontos críticos que afetam a competitividade da indústria, apontados nos estudos das rotas”, explica o presidente da Fiesc.  Mas todo este trabalho de planejamento ficaria internado na Federação não fosse a criação do Observatório da Indústria, que ocupa um cenário futurista no terceiro andar da sede da entidade em Florianópolis. Num grande telão, especialistas de todos os setores acompanham as tendências da indústria de todo o mundo, países que produzem, importam, exportam e cruzam esses dados com os interesses da indústria e da economia catarinense. “Este grande acervo vivo e atualizado de hora em hora está disponível para o empresário e o administrador público de SC, criando oportunidades para nossas empresas, para o Estado e os municípios”, informa Glauco José Côrte. linha azul Tecnologia Fazendo coro ao depoimento do presidente da Fiesc sobre o desenvolvimento do setor de Tecnologia e Inovação – que já é referência no Brasil e no exterior – saíram os números da pesquisa feita em parceria pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) em parceria com a empresa de big data Neoway. Com faturamento estimado de R$ 11,4 bilhões, o setor tecnológico de SC já representa aproximadamente 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. São 2,9 mil empresas de tecnologia da informação (TI), com cerca de com 5,3 mil sócios empreendedores e mais de 47 mil funcionários. Novidade e até surpresa pra muita gente. linha azul