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Flávio Bolsonaro estreia em SC sob fogo cruzado de palanques divididos

Por: Claudio Prisco Paraíso

07/05/2026 - 06:05

A chegada do senador Flávio Bolsonaro a Santa Catarina, na próxima sexta-feira, marca mais do que uma simples agenda pré-eleitoral. Trata-se, na prática, do pontapé inicial de sua caminhada presidencial no estado — e já em um ambiente politicamente fragmentado, complexo e repleto de armadilhas.

Flávio desembarca em Florianópolis para sua primeira visita como presidenciável do PL. A programação inclui, além de compromissos políticos, a participação na estreia de um filme alusivo ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No sábado, o evento deve reunir uma ampla mobilização liberal, com representantes de diversas regiões catarinenses, incluindo prefeitos, parlamentares, vereadores e lideranças estaduais, regionais e municipais. Na prática, será tratado como o lançamento informal de sua candidatura à Presidência da República no estado.

Sem exclusividade

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Naturalmente, o governador Jorginho Mello, correligionário de Flávio e candidato à reeleição, oferecerá palanque ao presidenciável. No entanto, o cenário está longe de ser homogêneo.

Outra figura de peso que já declarou apoio a Flávio é o senador Esperidião Amin, também candidato à reeleição. A relação entre ambos é sólida, construída ao longo de oito anos de convivência no Senado, desde a eleição de 2018. Mas é justamente aí que começa o problema.

O fator Amin

Inicialmente, Amin integraria a chapa majoritária liderada por Jorginho Mello, compondo dobradinha ao Senado com a deputada Carol De Toni. O cenário mudou radicalmente com a decisão de Jair Bolsonaro de lançar Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.

Num primeiro momento, cogitou-se uma composição entre Carlos e Amin. Mas prevaleceu a decisão de Jorginho de manter Carol De Toni na chapa. Resultado: Amin foi excluído.

Alternativa única

Sem espaço, o senador buscou abrigo na candidatura ao governo que será liderada por João Rodrigues.

Um palanque, múltiplos presidenciáveis

João Rodrigues, ao lado de seu provável vice, o deputado federal Carlos Chiodini, já assumiu compromisso com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de oferecer palanque ao seu projeto presidencial em Santa Catarina.

Amin, por sua vez, não participou desse movimento. Manteve distância. O resultado é uma composição, no mínimo, inusitada: uma mesma chapa estadual com dois presidenciáveis distintos orbitando ao redor. E o fenômeno pode se repetir do outro lado, inclusive.

Novos

O vice de Jorginho, o ex-prefeito Adriano Silva, é correligionário do ex-governador mineiro Romeu Zema, também pré-candidato ao Planalto. Caso Zema confirme candidatura própria — e não componha como vice de Flávio —, Adriano tende a acompanhá-lo, criando mais uma divisão dentro do mesmo palanque.

Constrangimento calculado

Nesse tabuleiro, Amin joga com habilidade. Ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro, ele cria um constrangimento evidente para o presidenciável, para Carlos Bolsonaro e para o próprio PL.

Flávio não pode — nem politicamente lhe convém — recusar o apoio de Amin. Ao contrário, trata-se de um ativo relevante. No entanto, aproximar-se demais do senador catarinense pode comprometer diretamente o projeto eleitoral do próprio irmão.

Liderança

Isso porque está praticamente pacificado que uma das vagas ao Senado será de Carol De Toni. A segunda vaga tende a ser disputada entre Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin, em uma disputa que, até segunda ordem, promete ser acirrada.

Distância estratégica

Diante disso, qualquer movimento de Flávio Bolsonaro circulando pelo estado ao lado de Amin enfraquece a candidatura de Carlos, que precisa se consolidar junto ao eleitorado catarinense — o que, por si só, já é um belo desafio.

Raízes locais

Mais do que isso: fortalece o discurso de Amin, que tem explorado o argumento de pertencimento. Ele sustenta que Santa Catarina deve eleger um senador “da terra”, destacando sua trajetória de mais de 50 anos de vida pública no estado e mais de quatro décadas de mandatos eletivos.

Cenário sensível

O quadro é delicado, sensível. A passagem de Flávio Bolsonaro por Santa Catarina, neste fim de semana, não será apenas protocolar. Ela exigirá calibragem política fina. A tendência é que o presidenciável seja orientado a manter uma distância calculada de Esperidião Amin — uma “distância regulamentar”, por assim dizer.

Laços de sangue

O objetivo é claro: preservar o apoio estratégico, sem comprometer o projeto eleitoral de Carlos Bolsonaro.

Em resumo, Flávio estreia em Santa Catarina cercado por aliados — mas também por tensões que podem definir o rumo da disputa no território catarinense.

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