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Esperas…

Foto: Arquivo Pessoal

Por: Ana Kelly Borba da Silva Brustolin

03/01/2026 - 11:01 - Atualizada em: 03/01/2026 - 11:50

Nossa vida é feita de pausas, de intervalos, de reticências. Quantas histórias esperamos ao longo da nossa própria história?
Esperamos meses para o nascimento de um bebê. Esperamos crescer sem perder a leveza.
Esperamos por pessoas que chegam tarde, cedo demais ou nunca chegam.
Esperamos por respostas que não obedecem ao relógio do nosso desejo.
Esperamos por estabilidade e por segurança financeira.
Esperamos por sonhos que exigem mais tempo do que imaginávamos e mais coragem do que pensávamos ter.

Muitas dessas esperas não nos entregam logo aquilo que pedimos. Pelo contrário: elas nos colocam diante das frustrações, dos limites e das escolhas inevitáveis. E é aí que a espera deixa de ser apenas ausência e se transforma em processo. Esperar também educa, molda, refina. Esperar dói, mas também ensina.

Na contramão da espera, vivemos, porém, em um mundo que exige respostas imediatas. Basta pensar nos nossos aplicativos de conversa: tudo é rápido, instantâneo, acelerado; até os diálogos. Criamos a ilusão de que tudo deve acontecer “já”, como se o tempo fosse um obstáculo e não um aliado. Nesse ritmo apressado, desaprendemos a esperar e, muitas vezes, perdemos a profundidade do encontro, da escuta.

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Ao chegar ao fim de 2025, podemos perceber sobre quantas esperas atravessamos sem notar. Algumas ainda estão abertas, já outras se transformaram em aprendizado. E, diante do início de 2026, convidado todos nós a não endurecer. Não se fechar. Não perder a sensibilidade. Não permitir que o cansaço roube a doçura amadurecida que nasce quando seguimos caminhando, mesmo sem todas as respostas…

Uma das maiores tristezas da vida não é esperar, mas sim perder a sensibilidade da espera. Porque, nesse tempo aparentemente suspenso, a vida continua acontecendo. A terra trabalha em silêncio, as raízes crescem no escuro, o invisível se organiza.

A espera pode ser fecunda.
Que 2026 nos encontre assim: não apressados demais para sentir, nem fechados demais para aprender. Que saibamos esperar sem desistir, confiar sem nos perder, e compreender que viver não é apenas chegar… É desfrutar do processo e, também, permanecer e deixar-se florescer no tempo certo.

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Ana Kelly Borba da Silva Brustolin

Doutoranda em Linguística pela UFSC, atua como professora de Língua Portuguesa e Redação e escritora, membro da Academia Desterrense de Literatura, ocupante da cadeira 6. É autora de livros e artigos na área da Língua Portuguesa, Literatura e Educação.