Após 1992, nunca deixei de comprar, na Grafipel de Jaraguá do Sul, as minhas agendas impressas, já lá pelo mês de setembro do ano anterior. Até este citado ano, em que me desliguei da WEG para empreender na Feciel e Arco-Íris, eu sempre recebia a agenda WEG, com a sua logo gravada em baixo relevo e, quando necessário, uma nova lapiseira preta 0,5 mm… tal como a que o Sr. Geraldo Werninghaus (o “G” da WEG) carregava num bolso secundário da calça, quase na altura do seu joelho direito.
Pois bem. Até hoje, mesmo usando a agenda do meu celular – para lembretes como supermercado, farmácia, lojas e consertos – não deixo de carregar, debaixo do braço direito, a minha agenda impressa, cheia de compromissos, atualizada dia a dia, com escritas em azul (para as atividades “normais” do dia a dia) e em vermelho (para reuniões, contatos improrrogáveis e compromissos inadiáveis).
Mesmo, às vezes, me autodepreciando por manter este costume – para muitos – ultrapassado, surpreendi-me ao ler o que a psicologia diz: “pessoas que ainda escrevem à mão, em vez de digitar, não estão presas ao passado; elas têm, sim, uma relação mais profunda com memória e foco, algo que muitos perderam sem perceber”… “óia só”, como diria um autêntico “Manezinho da Ilha” (eu !!!).
Pesquisas apontam que o hábito de registrar ideias, utilizando papel e caneta, promove um engajamento cerebral superior ao simples toque em teclados digitais, pois estimula áreas motoras e cognitivas, fortalecendo a retenção de informações e a clareza do pensamento cotidiano. Ou seja, priorizar a escrita manual permite que o cérebro processe dados com uma profundidade, que a tecnologia dificilmente consegue replicar.
Acerca desta afirmação, pesquisadores da Norwegian University of Science and Technology registraram a atividade cerebral, durante tarefas de escrita e digitação, constatando que a escrita manual ativa redes neurais elaboradas, promovendo coerência entre hubs cerebrais para codificação de memória, enquanto a digitação resulta em conectividade limitada.
Por isso, inclusive, os autores recomendam priorizar a escrita à mão em contextos educacionais, para otimizar o desenvolvimento cognitivo, atuando como uma ferramenta poderosa para consolidar o aprendizado em diversas etapas do desenvolvimento humano.
Enfim, ao traduzir pensamentos em símbolos gráficos manuais, a pessoa estabelece conexões neurais mais ricas e complexas do que em dispositivos eletrônicos, fazendo como que esse processo contínuo garanta que as lembranças permaneçam nítidas por muito mais tempo na consciência de cada pessoa.
Em resumo, manter o foco em uma única superfície de escrita, incluindo registros e planejamentos – também, a meu ver – em agendas impressas, sustenta uma produtividade de maneira natural, pois o ritmo mais lento exigido pela escrita manual obriga a mente a desacelerar e a refletir sobre cada palavra escolhida e essa pausa deliberada é essencial para organizar o raciocínio.
Ou seja, utilizar cadernos físicos (incluindo agendas impressas) elimina as janelas múltiplas que fragmentam a atenção durante o trabalho criativo, pois o ambiente analógico favorece um estado de concentração profunda, permitindo que as ideias fluam sem as interrupções típicas do mundo digital conectado.
Hilariamente comparando, enquanto uns preferem deslizar o dedo na tela, como zumbis hipnotizados pelo brilho azul, há os que preferem a escrita cursiva, fazendo musculação cerebral saudável com uma mera caneta esferográfica ou uma lapiseira… eita efeito colateral positivo, não?!?