Há dias em que dizer que estou na política não é motivo de orgulho. É constrangimento. Mas não deveria ser assim. Em qualquer democracia madura, a política é instrumento de transformação, espaço de debate qualificado, de construção de soluções que beneficiem a população. No Brasil, porém, ela tem sido, cada vez mais, sinônimo de desgaste, desconfiança e descrédito.
Não é percepção isolada. É um sentimento coletivo. Segundo dados recentes do Datafolha, a confiança da população nas instituições políticas permanece em níveis historicamente baixos. O Congresso Nacional, partidos e até governos enfrentam rejeição crescente — reflexo de uma sequência de escândalos – envolvendo direita, centro e esquerda -, promessas não cumpridas e uma sensação permanente de distanciamento entre quem decide e quem vive a realidade.
O cidadão comum olha e pergunta, com razão: como chegamos a esse ponto? A resposta não está em um único episódio. Está na repetição.
Corrupção que se repete.
Incompetência que se perpetua.
Discursos que não se sustentam na prática.
Recursos públicos desperdiçados enquanto milhões ainda lutam para fechar o mês.
Não é apenas indignação moral — é uma frustração concreta. O Brasil desperdiça potencial. Santa Catarina, que poderia avançar ainda mais, também paga o preço de decisões erradas, prioridades invertidas e de uma cultura política que muitas vezes premia o erro e penaliza quem produz. Por isso, nos últimos anos, vimos tantos prefeitos presos.
Diante desse cenário, a pergunta inevitável surge — e não apenas para quem está fora: vale a pena continuar? Confesso: já me fiz essa pergunta inúmeras vezes.
Seria mais simples voltar exclusivamente à iniciativa privada, cuidar dos negócios, curtir mais a família, cuidar daquilo que depende apenas de esforço próprio e entrega resultado direto. É um caminho legítimo — e, muitas vezes, tentador.
Mas há um problema nessa escolha. Se aqueles que se incomodam com o que está errado decidem sair, o espaço não fica vazio. Ele é ocupado. E, na maioria das vezes, por quem já se adaptou ao sistema que precisa ser mudado.
É por isso que permaneço. Não por cargo. Não por poder. Não por dinheiro. Permaneço por responsabilidade. E por teimosia.
Porque desistir seria aceitar que nada pode ser diferente. Seria admitir que a política está condenada a ser o que muitos brasileiros já acreditam que ela é — um ambiente onde a ética virou exceção.
E isso não é verdade. Ou, pelo menos, não pode ser.
Uma gestão eficiente, com responsabilidade fiscal, respeito ao dinheiro público e foco em resultado, não é teoria — é realidade em muitos municípios e experiências administrativas que deram certo, como a que fizemos em Jaraguá do Sul.
É claro que há momentos de desânimo. Quem está na política e mantém senso crítico não passa ileso ao que vê. A frustração existe — e seria desonesto negar. Mas ela não pode ser maior que o compromisso.
O Brasil precisa de gente disposta a enfrentar o problema — mesmo quando isso custa desgaste, incompreensão ou ataques.
A política só muda quando muda quem está disposto a permanecer nela. Eu sigo.
Incomodado. Indignado. Muitas vezes frustrado. Mas ainda determinado o suficiente para não desistir. Porque, no fim, o maior risco não é a política decepcionar. É as pessoas de bem desistirem dela.