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Entre a cautela e o crescimento: o momento da construção civil em SC

Por: Editorial

12/05/2026 - 06:05

Mesmo diante de juros elevados, crédito mais restrito e um cenário internacional instável, a construção civil catarinense segue demonstrando resiliência. A projeção da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) de crescimento de 1,94% para o setor em 2026 revela menos um momento de euforia e mais um exercício de resistência econômica diante de pressões cada vez mais complexas.

O avanço projetado pode parecer tímido, especialmente para um segmento historicamente associado ao dinamismo econômico e à geração de empregos. Porém, no atual contexto macroeconômico, crescer já representa uma vitória. O setor convive simultaneamente com inflação elevada, escassez de mão de obra, encarecimento de insumos e dificuldades no financiamento imobiliário. Some-se a isso o impacto das tensões no Oriente Médio sobre o preço do petróleo, e o resultado é um ambiente de cautela permanente.

A construção civil depende diretamente da previsibilidade econômica. Quando os juros permanecem altos, o crédito encarece, o consumidor adia decisões e os investimentos desaceleram. O alerta da Fiesc sobre o enfraquecimento da poupança como principal fonte de financiamento habitacional expõe uma preocupação legítima: sem crédito acessível, o sonho da casa própria se distancia e o setor perde fôlego para novos lançamentos.

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Ainda assim, Santa Catarina demonstra uma característica que há anos diferencia sua economia do restante do país: a capacidade regional de continuar crescendo mesmo em cenários adversos. O litoral norte catarinense é o exemplo mais evidente disso. O fenômeno do “transbordamento imobiliário” impulsionado por cidades como Balneário Camboriú consolidou municípios vizinhos como Itapema e Porto Belo como novos polos de expansão vertical e valorização imobiliária.

Os números impressionam. Em Itapema, mais de um terço dos empregos formais está ligado à construção civil. Porto Belo vive um crescimento acelerado de vagas, enquanto o volume de obras já rivaliza com centros urbanos muito maiores, como Joinville. Isso mostra que o setor continua sendo um dos motores econômicos catarinenses.

O desafio, agora, será equilibrar crescimento e sustentabilidade econômica. O cenário para 2027 ainda dependerá de fatores externos, especialmente da política monetária e da estabilidade internacional. Mas uma lição já está clara: Santa Catarina segue construindo oportunidades mesmo quando o cenário nacional recomenda prudência.

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