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Ejaculação previne câncer de próstata?

Por: Dr. Scharlon Ehmke

25/08/2026 - 11:08 - Atualizada em: 25/08/2026 - 11:49

A relação entre a frequência ejaculatória e a redução do risco de adenocarcinoma prostático (câncer de próstata) tem sido amplamente respaldada por dados epidemiológicos robustos na última década.

O estudo de maior impacto sobre o tema, conduzido por pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard e publicado no periódico European Urology, acompanhou mais de 30 mil homens por quase duas décadas. Os dados demonstraram que indivíduos que relataram uma média de 21 ou mais ejaculações por mês apresentaram uma diminuição estatisticamente significativa de cerca de 20% no risco de desenvolver a neoplasia, em comparação com o grupo de controle, que registrou de 4 a 7 ejaculações mensais.

Nesse cenário, uma vida sexual saudável e ativa consolida-se como um pilar essencial para o bem-estar masculino, indo muito além da prevenção oncológica.

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Do ponto de vista da fisiologia prostática, a principal explicação científica para esse fenômeno é conhecida como a hipótese da estase de secreção. A próstata é uma glândula exócrina responsável pela produção de cerca de 30% do líquido seminal, fluido que nutre e transporta os espermatozoides.

Quando o homem ejacula, ocorre uma “limpeza” mecânica desse sistema glandular. A retenção prolongada do sêmen (estase) favorece o acúmulo de secreções e a concentração de substâncias potencialmente carcinogênicas, além de subprodutos do metabolismo celular que geram estresse oxidativo.

Ao esvaziar os ductos prostáticos regularmente através da atividade sexual ou masturbação, o organismo elimina esses agentes nocivos, atenuando os estímulos inflamatórios locais e reduzindo as chances de mutações celulares malignas no epitélio da glândula.

Apesar dos benefícios evidentes dessa depuração biológica, a comunidade urológica ressalta que a ejaculação frequente atua estritamente como um fator modulador de risco, e não como um método profilático absoluto.

O câncer de próstata é uma doença multifatorial complexa. Fatores genéticos hereditários, idade avançada e etnia exercem um peso preponderante no desenvolvimento do tumor e não sofrem interferência da atividade sexual.

Portanto, o hábito não anula a necessidade do rastreamento preventivo. Consultas regulares ao urologista para a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) no sangue e a realização do exame de toque retal continuam sendo medidas importantes para o diagnóstico precoce e o tratamento da doença.

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Dr. Scharlon Ehmke

Médico formado pela UFSC, especialista em Urologia e Andrologia