Fóruns que debatem as causas ambientais são necessários, claro. A dificuldade desses encontros é chegar a um denominador comum. Ou seja, se fala, se debate, se discute, mas se chega a pouco de concreto. Ao final desses encontros listas de medidas a serem tomadas são emitidas. Mas elas serão as mesmas listadas em encontros parecidos realizados em anos passados. Felizmente ou infelizmente, não sei, a maioria do que deu certo para o meio ambiente, partiu de iniciativas próprias. Nesses fóruns se debate muito a relação artesanato – extrativismo. São boas vitrines, mas não bastam. A economia verde pede bases mais amplas, sólidas, inteligentes e inovadoras. Um caminho é unir ciência e empreendedorismo. E a melhor maneira de eliminar resíduos é transformá-los em matéria-prima. Conforme uma publicação da National Geographic Society, no Ceará um produtor de camarão descobriu o que fazer com montanhas malcheirosas de casca e cabeça do crustáceo. Descobriu a serventia de um polímero natural chamado quitina, presente na carapaça do camarão e de outros crustáceos, como lagosta, cuja principal função é aglutinar e absorver gorduras e óleos.
Mercado público na Malásia - Foto: Charles Zimmermann
Mercado público na Malásia - Foto: Charles Zimmermann
Além do combate a obesidade e ao colesterol alto, nessa substancia descobriu-se que se pode atacar os vazamentos de petróleo. Pulverizada sobre o poluente, derramado em água doce ou salgada, elas formam aglomerados fáceis de recolher, tornando a limpeza mais eficiente. Outro exemplo sai da Floresta Amazônica e segue para uma fabrica de peças automotivas, uma bromélia semelhante ao abacaxi, cujas fibras são resistentes, longas, flexíveis e duráveis – que pode substituir todos os usos conhecidos da fibra de vidro, além de servir para reforçar garrafas PET, fabricar sola de sapato e dar mais maleabilidade a vigas de concreto para construções em áreas sujeitas a terremotos. Em Santarém, no Pará o plantio rentável e bem-sucedido dessa bromélia estimulou centenas de pequenos produtores das localidades vizinhas. Eis o ciclo da economia verde: enquanto essa bromélia da Amazônia circula pelo transito nos carros VW, GM, Peugeot, o dinheiro gerado aumenta a renda de ribeirinhos nos municípios paraenses. A dimensão da nossa ignorância a respeito da Amazônia é enorme. Apenas 2% da sua biodiversidade é conhecida. Na luta contra a biopirataria, a burocracia brasileira penaliza cientistas. As leis e os procedimentos relativos à bioprospecção tornaram-se tão rígidos e trabalhosos que limitam a coleta de plantas, micro-organismos e animais amazônicos.