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E quem não pode?

Por: Luiz Carlos Prates

30/08/2016 - 04:08

Por que as pessoas bebem? Por que se drogam? Por que se anestesiam na comida ou em algum exagero de qualquer tipo? Bolas, para serem felizes. Viver implica em pensar, pensar envolve consciência e consciência nos faz sofrer. Não somos bonitos como gostaríamos, não somos magros, elegantes, altos, menos altos, com cabelos ou sem cabelos, com olhos desta cor ou daquela como gostaríamos… O ser humano não costuma gostar de si mesmo quando se olha ao espelho da vida.

Aliás, dia destes comentei aqui que numa pesquisa de americanos foi constatado, sem nenhuma novidade, que 94% das mulheres não se gostam quando se veem no espelho… As restantes, imagino, mentem… Vale para nós todos. Tudo bem? Tudo bem coisa nenhuma, como é que se pode mudar essa insatisfação humana? Pelas drogas.

Não creio, tu estás fazendo apologia às drogas? Não, estou querendo dizer que precisamos encontrar a “nossa droga”, uma atividade, alguma coisa que nos anestesia essa consciência pesada da nossa feiura existencial, agravada pela certeza da morte…

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Um trabalho, uma arte, uma ciência, um hobby, o que for, precisamos nos anestesiar de nossas fraquezas. E vem daí, pelo caminho mais fácil, que as pessoas chegam às drogas, um caminho que lhes vai deixar tudo pior mas… Mas é o caminho mais fácil para os fracos, e os fracos, você sabe, são atropelados na avenida da vida… À medida que vamos pegando “estrada”, isto é, idade, quem não tiver vivido um pouco mais leve, vai se sentir cada vez mais pesado, o peso da idade por não ter a cabeça encontrado na vida a sua “droga” de uso pessoal, a que pode diminuir o impacto da consciência cada vez mais aguda do fim. Viver é sofrer? É.

Mas pode ser um pouco menos… Tudo vai depender da “droga” a que nos agarremos nos melhores momentos da juventude, da vida. E o pior de tudo é olhar para trás e dizer: agora é tarde. Será? E quem nos impede de sermos revolucionários em nossa cabeça, de viver de tal modo que nos “critiquem” – Que ridículo, tem idade e pensa que é jovem! Esses “velhos ridículos” são os bem-aventurados da vida. E quem não pode?

ABOBADO

O cara tinha o tamanho de um caminhão, bermudas frouxas, chinelo de dedo, – daqueles tipos – empurrando um carrinho no supermercado. O abobadão levava o filho, de um ano e pouco, de pé dentro do carrinho do supermercado, o mesmo carrinho em que outras pessoas vão colocar seus alimentos. Será que o imbecil não vê que é uma falta de respeito, de educação, colocar um pivete com pés sujos num carrinho de supermercado? Ele não faria isso no “meu” supermercado, ah, não faria: dois seguranças “falariam” com ele, lá na salinha dos fundos… Sujo!

FALTA DIZER

Muita gente no Brasil balbucia meia dúzia de palavras em inglês e diz que fala inglês. Coisa nenhuma. Fala inglês quem entende e se faz entender por um bêbado americano num gueto de Nova Iorque. O resto é papo furado…

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.