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Disputa pelo Senado deve ser eletrizante

Por: Claudio Prisco Paraíso

20/06/2026 - 06:06

A eleição de 2026 em Santa Catarina tende a produzir uma das disputas mais eletrizantes da história política recente do estado. E não necessariamente pela corrida ao governo. Nela, o governador Jorginho Mello aparece disparado na dianteira.

O verdadeiro epicentro do processo eleitoral estará na disputa pelas duas vagas ao Senado da República, numa eleição em que haverá renovação de dois terços da representação catarinense na Câmara Alta.

O cenário é singular. Pela primeira vez em muitos anos, Santa Catarina caminha para uma multiplicidade de candidaturas competitivas — espalhadas sobretudo pelos lados da direita conservadora — justamente no décimo maior colégio eleitoral do país e em um dos estados mais identificados com o conservadorismo e o bolsonarismo.

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Se observarmos as três principais chapas ao governo, as seis candidaturas ao Senado já estão praticamente postas.

Canhotada

Na esquerda e extrema esquerda, a composição liderada por Gelson Merisio tem Décio Lima, pelo PT, e Afrânio Boppré, pelo PSOL.

Favoritismo

Na chapa liderada pelo governador Jorginho Mello, os nomes são os da deputada federal Carol De Toni e do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, o Carluxo.

Longevidade

Já na chapa encabeçada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues, está consolidada a candidatura à reeleição do senador Esperidião Amin e, agora, ganha corpo a entrada do emedebista Antídio Lunelli.

Mas o quadro não para aí.

Por fora

Tanto Marcelo Brigadeiro quanto Ralf Zimmer deverão apresentar candidaturas ao Senado. No caso de Zimmer, o advogado Jefferson Rocha já aparece como nome colocado.

E há grande possibilidade de ambas as chapas lançarem dois candidatos cada.

Na trave

A razão é estratégica. Nenhum agrupamento político quer repetir o que ocorreu em 2018 com Lucas Esmeraldino.

Naquele pleito, o então candidato do PSL disputou voto a voto a segunda vaga ao Senado com Jorginho Mello e acabou derrotado por uma margem apertadíssima de cerca de 18 mil votos. A primeira vaga ficou com Esperidião Amin.

Segundo voto

Nos bastidores, permanece a avaliação de que, se o PSL tivesse lançado um segundo nome ao Senado, poderia ter evitado a migração espontânea do chamado “segundo voto” bolsonarista para Jorginho.

Era um cenário que poderia ter levado Esmeraldino à vitória.

Variedade

Daí a tendência de que várias chapas apresentem candidaturas duplas ao Senado em 2026.

O resultado prático é um cenário que pode chegar facilmente a dez candidaturas, sendo oito posicionadas no campo da direita, centro-direita ou conservadorismo, contra apenas duas claramente identificadas com a esquerda.

Apostas

E justamente aí mora o fator de imprevisibilidade da disputa.

Porque, havendo equilíbrio entre as quatro candidaturas mais robustas do campo conservador — Carol De Toni, Carlos Bolsonaro, Esperidião Amin e Antídio Lunelli —, não está descartada a hipótese de Décio Lima correr por fora e beliscar uma das vagas no segundo voto.

Raridade

Seria um movimento improvável em um estado historicamente conservador e fortemente bolsonarista? Sim.

Mas politicamente possível diante da pulverização do eleitorado de direita.

Dianteira

Ainda assim, no quadro atual, o favoritismo permanece concentrado no eixo bolsonarista.

Caso prevaleça a verticalização da disputa e a nacionalização da eleição presidencial, Carol De Toni e Carlos Bolsonaro largam com musculatura eleitoral relevante, especialmente pela força do sobrenome Bolsonaro em Santa Catarina.

Protagonista

Mas seria um erro subestimar Esperidião Amin.

Trata-se de um político com mais de meio século de vida pública, presença consolidada no imaginário catarinense e atuação destacada no Senado.

Mesmo enfrentando o desgaste natural de uma longa trajetória, Amin ainda possui recall, capilaridade e reconhecimento suficientes para permanecer altamente competitivo.

Manda Brasa

E há também o azarão da disputa.

Antídio Lunelli entra no jogo com atributos que podem produzir surpresa: trajetória empresarial vitoriosa, perfil agregador, forte identificação regional e capacidade de empatia popular.

Se conseguir nacionalizar menos a eleição e estadualizar mais o debate, pode crescer de maneira consistente.

O fato objetivo é que, em Santa Catarina, a eleição de 2026 já tem holofotes bem direcionados para o cenário principal: o Senado da República.

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