Desde que a filha teenager do Graham Bell se apaixonou por um estagiário de seu pai que surgiu o famoso: - Desliga você. - Não, desliga você. - Ai, tchutchuquinho, desliga vai. - Não consigo. Então, vamos desligar juntos. No três. - 1. 2. 3. - Você não desligou. Bem... Essa conversinha clássica e batida que todo mundo já ouviu falar, já leu num texto do do Veríssimo, já assistiu numa peça de stand-up, num vídeo de Youtube ou, ainda, passou por isso pessoalmente, já não cabe no nosso mundo (benzadeus! Não dava mais para ver o Porchat, Danilo Gentili e todos os outros fazendo a mesma piadinha como se tivessem inventado a roda). Antigamente, a melosa despedida era mais limitada, uma vez que as ligações eram cobradas por pulsos e, muitas delas, interurbanas. Cada horário (e dia da semana) um preço diferente. Era só telefone fixo, na sala, ou corredor, sempre tinha a mãe/pai/irmão/tio/avó passando e olhando de cara feia. Mesmo assim, os jovens enamorados ficavam lá, cochichando e enrolando os dedos nos fios do pesado telefone. E deixavam o fio, que já era em espiral, virado numa engronha! Com o tempo a coisa foi melhorando... Os celulares de tornaram populares, porém, as ligações eram caras, mas não esqueça econômico leitor, estamos falando de seres apaixonados. Tudo pelo amor, até o último centavo! Além disso, havia os números preferidos para a mesma operadora, dava para ficar algum tempinho no “desliga você”. Depois, para melhorar, a Tim criou o Infity, uma ligação por vinte e cinco centavos! Era a era da diabetes amorosa. Uma melação só que não acabava, ou, só acabava quando a ligação caía: - Desliga você. (Tu tu tu tu tu) Meu Deus! Ele desligou mesmo! Não acredito! (Toca o telefone) - Moranguinho, a ligação caiu, desculpa. - Que susto, pensei que você tinha desligado. - Nunca! Desliga você... Então, nessa evolução sedosa, eis que surge o WhatsApp. Zap, para os íntimos. Manda mensagem de voz. Emoticon. Não precisa mais ligar. E o Desliga Você vai entrando no desuso, se tornando um assunto de gente que se identifica com as coisas do Stranger Things. Imagino que, nesse momento da nossa história tecnológica, essa nova forma de comunicação, a falta de um limite necessário no fim da conversa (desliga você) tenha criado um problema para os enamorados. Afinal, como eles saberão quando mandar a última mensagem? A coisa deve ir longe.