Pensei nesse título para essa crônica com o intuito de brincar/homenagear o Dark Side of the Moon do Pink Floyd, então acabei colocando o CD para rodar e... temos que concordar: É um álbum do ca%3&ho!! Então, ao assunto: Não sei vocês, mas eu não me considero um total brucutu, tampouco um lorde inglês. E entre esses oito e oitenta, vamos nos virando. Claro, tem coisa que não tem jeito. Eu, mesmo, nunca terei muita classe para tomar vinho. Não consigo beber. Sou mais da cerveja, mas, melhor ainda um Nescau quentinho. Não haveria problema algum em chegar num restaurante e pedir ao garçom: “Desce uma caneca de Nescau quentinho, camarada”. E tem coisas que me dou bem, como conhecer e saborear algumas comidas exóticas, saber empunhar corretamente um hashi e não lavar sushi em shoyu. Aliás, tem muito sushiman que adora criticar quem usa shoyu, dizendo que não é assim. Eu penso: “Pronto, falou um cara, em Santa Catarina, que faz uma comida japonesa com o nome de Califórnia e Filadélfia”. Enfim... Porém, a minha vergonha que se põe à mesa no dia-a-dia, é o tal do garfo na mão esquerda. Não adianta. Não consigo, já tentei e não entendo. É sacanagem de algum canhoto isso? Por que temos que segurar o garfo na esquerda? Uma vez eu tentei cortar um bife da maneira “correta” e voou arroz para tudo que era lado. Desisti. Agora, quando vou a um restaurante, a primeira coisa que faço é inverter os talheres. Certa vez, um amigo que mora em Guaramirim quis dar chilique pela minha falta de etiqueta: “Hummm, só falta abrir as asas na mesa, agora”. Fiquei meio incomodado, mas não falei nada. Pensei: “Vou pesquisar isso em casa”. Cheguei e digitei: Gafes à mesa. Veio uma lista. Talheres invertidos nem estava na lista, mas, de todo o resto, eu fazia boa parte delas. Já gritei para minha esposa: “Amor, acho que eu sei por que os amigos não nos convidam para jantar”. Poxa, agora que uso aparelho nos dentes, já preciso cuidar para não parecer que tenho uma minhoca dentro da boca, tentando cavoucar entre o ferro e o dente e ainda tem mais esse monte de regrinhas? Olha, tem coisa que eu achei meio absurdo (exagerado) nessa lista. Tipo, não poder apoiar o cabo dos talheres na mesa, ou não poder assoprar a comida. Pô! Chique é queimar a língua? O céu da boca? Eu sopro mesmo. Já cansei de levar sapecada no beiço. Dizem também que não pode raspar o talher no prato. Meu amigo, essa foi a primeira coisa que aprendi para não levar xingo da mãe no almoço: “Raspa o prato, guri.” Bem, pelo visto eu não poderia participar do churrasco que rolou, essa semana, na casa do Cunha, todo mundo deveria estar cheio dos modos. Pena que, por lá, os modos não saem da mesa. E também não seria convidado para beber os vinhos sofisticados do Lula. Afinal, existem coisas exclusivas para pessoas de classe. Mas, se alguém quiser, dou dica de como comer um prensadão e beber um refri, no trailer da esquina, sem precisar de banquetinha para apoiar a latinha e sem derrubar a batata palha do dogão.
Foto: Divulgação
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