Como hoje (sábado, 24) é dia de São João, meu xará, pensei em falar sobre festas juninas. Cachorro-quente, pescaria, fogueira. Aquela infinidade de elementos sedutores que faz homens e mulheres pintarem um dente de preto e colocar um chapéu de palha na cabeça. Em todos esses anos, nesta indústria vital de festividades, já dancei quadrilha, trabalhei em barraquinha de pescaria para a minha mãe, devolvendo peixe de papelão pra serragem, enfim... Aquelas coisas que mães ativas de APPs (Associações de Pais e Professores) resolvem voluntariar os filhos. Acabei pegando gosto pelas festas juninas. Esse ano, devo admitir, minha temporada junina começou mais cedo. Afinal, tendo minha editora bem pertinho do Hiper Um-Nove-Nove, um alegre estabelecimento que tem uma banquinha de produtos da estação bem na porta. Paçoca Saporita, cocada, pé de moleque, fondant de leite, pé de moça, doce de leite, quebra queixo, enfim, do bom e do melhor das besteiras de São João, São Pedro e Santo Antônio. O trio junino. Porém, não daria para focar essa nossa conversa apenas nisso, ignorando todos os outros elementos do inverno, que essa semana nos deu as caras. Eu sei que o povo fit vai me condenar por isso, mas é a temporada de comer sem culpa. Começou, oficialmente, a estação das noites das sopas, feijoadas beneficentes, fondue, pinhão e, para quem gosta: quentão. Eu prefiro um chocolate bem quente e cremoso. Para o pessoal do litoral, é época de tainha. Para o pessoal da serra, é época de turismo. Gente que vem do Brasil inteiro para passar frio e, talvez, ver neve. É muita vontade. A turma de São Joaquim é que gosta de ficar de madrugada molhando árvore para amanhecer congelada e dar notícia na televisão. Inclusive, no ano passado, estava em Urubici durante esse friozão. Que coisa sofrida. Estávamos trabalhando naquela que foi a primeira edição do Flineve – Festival Literário da Neve Catarinense, organizado pela amiga Salma Ferraz. Na noite mais fria de todos os tempos, o evento acabou, Carlos e eu procuramos um lugar para jantar e depois, por volta das dez ou onze da noite, tivemos que caminhar uns dois quilômetros até nossa pousada, pois não havia táxi disponível. Todos os existentes da cidade estavam levando turistas para onde a neve caía. Era muito frio. Mas muito frio. Eu dormi com duas calças, três cobertas e, se não me engano, de luvas também. Bem, para quem gosta do inverno, que aproveite o friozinho de nossa terra, que possa comer e beber, ler livro e ver seriado até não aguentar mais. E, quem não gosta, não se preocupe, afinal, vivemos numa região “bipolar”. É capaz de dar um calor de quarenta graus já na semana que vem. E depois, chuva e frio e resfriado. E, então, com os narizes cantando, ouvimos aquele típico comentário: “Mas, também, com esse esquenta e esfria, não há quem aguente! Gripa mesmo.”