DA EXPONTANEIDADE AO “SINCERICÍDIO”

Foto: divulgação

Por: Emílio Da Silva Neto

11/07/2024 - 11:07 - Atualizada em: 11/07/2024 - 16:19

Ao contrário da embaraçosa espontaneidade infantil, muitas vezes provocando risadas, a comunicação madura exige “filtros” de bom senso, evitando que a sinceridade vire “sincericídio”

A sinceridade é um dos elementos mais importantes nas relações entre as pessoas. E boas relações são aquelas baseadas no diálogo, em que a gente tende a se abrir mais com quem se confia, com quem aceita como se é e vice-versa.

Portanto, esse tipo de comunicação nas relações humanas não deve ser perdido. Porém, sinceridade exige maturidade e sabedoria, para não “descambar” para o “sincericídio”.

Bem ao contrário da engraçada espontaneidade infantil e seus inúmeros episódios de franqueza extrema, que causam, muitas vezes embaraço, mas que depois, recordados, provocam risadas, a maturidade exige “filtros” de bom senso, para a moldagem da comunicação às regras do bom convívio.

Sim, pois não se pode aceitar que pessoas maduras percam o crivo das convenções sociais e se entreguem à incontinência verbal, por escolha ou imprudência, praticando o malfadado “sincericídio”.

Aqui, com base na responsabilidade emocional, vale explicar a diferença entre sinceridade e “sincericídio”, em que este último é a expressão do que se pensa e sente, mas sem reflexão sobre quais palavras usar, como se comunicar e nada atento às consequências da sinceridade descontrolada. Ou seja, sem o compromisso advindo da responsabilidade emocional, o “sincericídio” é a sinceridade com franqueza excessiva e, assim, não construtiva, isto é, sem construção de valor.

Assim, o “sincericídio”, face o ímpeto excessivo e eloquente pela verdade, vira um ataque de sinceridade mortal.

Para os psicólogos, o “sincericida” é alguém que se crê injustiçado, usando a honestidade como uma arma para cobrar, doa a quem doer, desviando-se do foco da mensagem em si, o que faz o outro reagir sem nem pensar sobre o que foi dito.

Assim, mesmo em conversas difíceis, quem fala não deve se destacar mais do que o acontecimento em si, gerando atrito e violência.

Em jornais e conversas, o “sincericídio” aparece cada vez mais, significando que a atitude está em alta, surgindo tanto em colocações pessoais acaloradas, quanto em declarações públicas, às vezes como um lapso, embora, geralmente, como uma afirmação calculada para causar impressão de toda ordem.

Isto porque em toda parte, há quem se creia acima do bem e do mal, sentindo-se autorizado a proferir suas opiniões com segurança desbocada, mesmo quando elas não são solicitadas.

Enfim, essa maneira imprudente de agir lembra que os “sincericidas” não são apenas soldados armados com uma “metralhadora cheia de mágoas” (como canta Cazuza), acertando muitos pelo caminho, mas, também, pessoas, elas mesmo, podendo ser atingidas pelos efeitos de suas próprias palavras.

Segundo Lucilia Diniz, empresária, escritora, apresentadora, socialite e youtuber brasileira, especializada em temas de saúde e bem-estar, o que faz aflorar em nós o “sincerão” são os sentimentos de raiva, ilusão de poder e vaidade.

Para evitar o “sincericídio”, é crucial encontrar um equilíbrio entre a espontaneidade e a consideração pelos sentimentos alheios, através do desenvolvimento da habilidade de comunicação assertiva, a qual permite expressar os próprios pensamentos e sentimentos de maneira clara e honesta, mas também respeitosa e empática.

Por falar demais, o “sincericida” pode perder um amigo, azedar um negócio e até ver sua reputação ser jogada na lama, sendo comum, portanto, que, depois da falta de medida, venha o arrependimento.

Não à toa, os “sincericidas” são, às vezes, chamados de “camicases da verdade”, tais como os pilotos japoneses da Segunda Guerra, que não só lançavam suas bombas, mas, também, chocavam seus aviões contra, geralmente, navios, se suicidando, pela obrigação e gratidão ao seu país.

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Emílio Da Silva Neto
PhD/Dr.Ing, Pós-Doc, Ex-Diretor Superintendente WEG

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Emílio Da Silva Neto

Consultor especializado em profissionalização, governança e sucessão empresarial familiar. Com vasta experiência, Emílio da Silva Neto é PhD/Dr.Ing, Pós-Doc, Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante, Professor e Sócio da 3S Consultoria Empresarial Familiar.