Curvas da vida – Luiz Carlos Prates

Por: Luiz Carlos Prates

02/06/2023 - 06:06 - Atualizada em: 02/06/2023 - 08:45

A vida tem muitas curvas, e muitas delas bem perigosas, como as do remorso ou do sentimento de culpa. – “Ah, eu devia ter dito a ela que a amava, mas não disse”! Esse pode ser um remorso de um viúvo. O sujeito pode mesmo ter amado muito a mulher, mas não dizia isso a ela. Ou, em sentido contrário, a mulher viúva pode pensar isso do marido que “partiu”… Vale para o emprego que não foi valorizado como devia e agora está perdido… Vale para filhos que dão no pé, aproveitam-se dos recursos da família e atravessam o oceano sob a ordinária mentira de que precisam estudar, crescer e… Com recursos da família, ou mesmo sem eles, somem. Depois, quando ficam sabendo que o pai ou a mãe morreu, choram, dizem-se saudosos. Safados, mentirosos. Vão sentir remorsos? Duvido. Nossa saúde, quando gravemente abalada, produz reflexões, ah, eu exagerei nisto, exagerei naquilo, não devia ter feito o que fazia, devia ter me cuidado mais… As balelas de sempre. Todos sabemos quando estamos num “delito”, quando saímos dos trilhos do correto, sabemos muito bem, mas… Seguimos alimentando o estúpido pensamento mágico de que conosco a coisa é diferente. Aliás, faz pouco, fiquei sabendo da morte de uma jovem atleta brasileira. Atleta daquelas, treinamentos duros, constância nos cuidados com o corpo e com as elasticidades indispensáveis, cuidados, enfim, atléticos, cuidados que vemos em muita gente… De repente, a notícia: ela morreu. Mas como? – perguntam muitos. Ora, cuidar do corpo físico é muito fácil. Fácil sim. O que mata, o que mais mata, todavia, é a cabeça viver “fora de forma”. Quando a cabeça não é arejada, o corpo pode ser olímpico, e, sem sendo assim, a pessoa estará apenas a um pé da cova… Quanto aos filhos, reconhecer pai e mãe, amá-los hoje, no aqui e agora. E assim também os pais, amarem os filhos, um amor que não significa soltar a corda da disciplina, mas puxá-la para evitar sentimentos de culpa mais tarde. Se tivermos um pouquinho de sol na cabeça vamos amar a quem ddevemos hoje, agora, e não chorar mais tarde ou ranger dentes de remorsos. E todos nós sabemos bem a quem devemos amar, sabemos. Amar hoje, não depois, quando for tarde…

MULHERES

O que mais entrava a vida das mulheres? E das mulheres sem dinheiro mais ainda? Filhos. O Brasil vive discutindo desigualdades sociais, mas não discutem, em Brasília, controle da natalidade. Milhares de mulheres vão empilhando filhos e tudo fica com elas, cuidar da casa, fazer a comida, lavar a roupa, levar os filhos para o colégio, para o posto de saúde, para a casa da mãe Joana, enfim… Tudo com elas. E os vagabundos que fizeram os filhos? Explosão demográfica é uma lasca para as mulheres, só para elas…

DIÁLOGO

Diálogo é uma conversa educada, objetiva, qualificada, mas onde isso? Manchete de jornais brasileiros: – “Dialogar com filhos é mais eficaz que restringir acesso à web”. E quem vai dialogar? Esses pais que andam por aí? Não dialogam com eles mesmos, os “ocupados” e ordinários. Aliás, “dialogam”, sim, escondidos em seus celulares. Os filhos ficam para depois, que se eduquem por si mesmos. Exceções? Gostaria de conhecê-las!

 

FALTA DIZER

Se a leitora, o leitor, prestar atenção a muitos dos diálogos em novelas da Globo vai notar fundas verdades que são ditas por personagens, verdades que se um comentarista ou político disser, bah, o povo hipócrita vai de relho sobre ele. Aliás, os humoristas também fazem muito disso. Ainda bem…