O custo do crédito no Brasil voltou a níveis próximos aos registrados há quase dez anos. Segundo dados do Banco Central, a taxa média de juros nas novas concessões atingiu 33,1% ao ano em março, avanço de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,9 ponto em 12 meses. Foi a primeira vez desde 2016 que o indicador superou a marca de 33%.
Pessoas físicas sentem maior pressão
Para consumidores, o cenário é ainda mais apertado. A taxa média para pessoas físicas subiu para 38,4% ao ano, maior nível desde março de 2017. Já a inadimplência ficou em 7%, mantendo-se entre os patamares mais altos desde 2012.
Além disso, o endividamento das famílias alcançou 49,9% da renda, igualando o recorde histórico de 2022. O comprometimento mensal da renda com dívidas avançou para 29,7%, o maior número da série histórica do Banco Central.
Impactos no consumo e no crescimento
Na prática, juros elevados reduzem a capacidade de consumo, dificultam financiamentos e aumentam o risco de atrasos nos pagamentos. Isso tende a frear a atividade econômica, principalmente em setores dependentes de crédito.
Especialistas avaliam que a política monetária restritiva e a desaceleração da economia devem manter esse ambiente pressionado nos próximos meses. Por outro lado, a atuação de bancos públicos e programas de estímulo pode suavizar parte desse movimento.
Cartão de crédito segue como vilão
Nas linhas mais caras, o destaque negativo continua com o cartão de crédito. O rotativo atingiu 428,3% ao ano, enquanto o parcelado no cartão chegou a 192,1% ao ano.
O cenário reforça um dos principais desafios de 2026: ampliar o acesso ao crédito sem deteriorar ainda mais a saúde financeira das famílias brasileiras.