Com a mesa do seu gabinete abarrotada de relatórios sobre o desempenho do Estado em 2016, o governador Raimundo Colombo recebeu a coluna exalando otimismo. O tema da conversa era o futuro de SC. O governador surpreendeu ao abandonar o ‘mantra’ que repetiu no ano passado: “Vamos conseguir fechar 2016, mas 2017 é uma incógnita”, dizia ele. Com certeza, muito da mudança do humor de Colombo tinha a ver com uma informação que acabava de receber do secretário da Fazenda, Antonio Gavazzoni, de que a arrecadação cresceu 3,51% em 2016. “Esse dado é muito bom, se a gente juntar com a redução de juros em 0,75% e a inflação em 6,29%, a menor desde 2008, tudo isso cria um cenário altamente favorável”, previu. Sobre o futuro de SC, Colombo preferiu começar pelo passado recente: “Ao contrário de muitos estados, pagamos os salários em dia, fizemos uma reforma da previdência, não aumentamos impostos, houve um rígido controle de gastos e nossa prioridade - oferecer serviços públicos de qualidade para a população - foi alcançada”. Mas Colombo acrescenta um dado fundamental: “Fizemos muito em 2016, em todos os setores, seja obras, ações, investimentos, enfim, SC não parou. Eu leio esses relatórios semanalmente e concluo que a gente fez muito mais do que esperava ou do que a crise permitia. Só que a população não viu isso, porque todos nós estamos concentrados em enfrentar a crise”. Para o governador, o fato de o Estado não ter parado “faz com que ele saia na frente na corrida pela retomada do crescimento – este pode ser o ano de SC”. E é com esse depoimento que a coluna começa a analisar o nosso futuro: fomos ouvir especialistas que, independente do cargo que ocupam ou do partido que militam, colocam o planejamento estratégico de SC como pilar principal da sua atuação. O primeiro desses “ideólogos” do Estado é o presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, formado em Ciências Políticas pela Universidade Americana de Paris, com pós-graduação em Harvard (EUA), ex-secretário de Planejamento e de Articulação Internacional no governo Luiz Henrique linha azul Grande SC Ainda na entrevista em que prega um Plano Diretor Territorial para o grande salto econômico de SC, o presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, diz que não vamos “precisar fazer como  Gramado, por exemplo, que primeiro criou um polo de atração turística e depois agregou a isso a produção de alimentos, vestuário e móveis”. No nosso caso, “já está tudo pronto, temos toda a produção de alimentos no Oeste, a produção de vinhos na Serra, têxteis no Vale, e toda a riqueza dos frutos do mar. Exportamos tudo isso como commodities, sem valor agregado. Dou como exemplo a botarga (ova de tainha seca), o caviar brasileiro, vendida por uma fortuna nos restaurantes europeus, para ser degustada com espumante. Por que não servimos botarga e espumante aqui em SC, onde são produzidos? Imagine quanto o nosso produtor poderia ganhar a mais com o consumo local. Mas para isso é preciso ter marinas, barcos, hotéis, restaurantes, bares, parques, e principalmente talentos para atrair o nosso consumidor interno e também o turista”. Para encerrar a entrevista, Lummertz sentencia: “Se quiser dar o salto, SC tem mudar a mentalidade, e o nosso passado revela que somos capazes de fazer isso”. linha azul     Lummertz: “abrir SC para o mundo” Para Vinicius Lummertz (foto), “primeiro é preciso ficar claro que não temos um modelo catarinense, mas uma experiência agroindustrial exitosa, que nos permite agora dar um grande salto econômico e abrir SC para o mundo”. O presidente da Embratur tem convicção de que, para dar esse salto, é preciso voltar às lições deixadas por aquele que é considerado o maior “ideólogo” de SC, o professor Alcides Abreu, que morreu em julho do ano passado. Peça fundamental do Plano Catarinense de Desenvolvimento (governo Colombo Salles, 1971/75), Abreu está por trás da criação da Udesc, Besc, Celesc, BRDE, Senai, enfim, de toda a estrutura de administração pública e econômica que até hoje vigora em SC. “Eu não ouso não dar ao professor Alcides a autoria da questão que abre toda a formulação sobre o grande salto econômico catarinense. Perguntava ele: ‘Qual é o maior ativo de SC que não o seu patrimônio imobiliário fronteiriço costeiro?’ É sobre este patrimônio que temos que planejar o futuro”, diz Lummertz. linha azul   Visão Diferente Vinicius Lummertz acredita que é preciso planejar SC “pela matriz da BR-101, ou seja, pelos 531 quilômetros da sua costa fronteiriça, um dos ambientes mais atrativos e competitivos do mundo, conjunto único no planeta”. No entanto, “nós não temos um planejamento que agregue todas as regiões que estão dessa costa para trás, até a fronteira com a Argentina”, explica o presidente da Embratur, lamentando que “as nossas cidades e regiões estão isoladas, porque não temos um grande Plano Diretor de Ocupação do Território que integre todas as vocações econômicas e até culturais que devem desaguar na nossa costa”. Ele dá como exemplo Joinville, “que ainda não se conscientizou ser uma cidade marítima” e Blumenau, “que tem que se pensar como uma cidade litorânea e portuária, com um aeroporto internacional (Navegantes) e uma ‘Disney’ ao lado, o Beto Carrero em Penha”. Na opinião de Lummertz, cidades como Blumenau e Jaraguá do Sul “perdem tempo aguardando a duplicação da BR-470 e da 280, uma coisa arcaica, quando tínhamos que pensar numa grande Parceria Público Privada (PPP), para construir supervias de acesso Blumenau-Litoral e Jaraguá-Joinville -São Francisco do Sul”. Para Lummertz, um dos motivos para essa falta de integração e planejamento estadual se dá porque “Florianópolis não está desenvolvendo sua vocação histórica, a de oferecer esse planejamento estratégico, como nos tempos do professor Alcides Abreu. Pelo contrário, a Capital não consegue sequer executar seu próprio Plano Diretor”.   Para dar um grande salto a partir de 2017, “precisamos contar com todos os nossos talentos e instituições, atuando juntos. Porém, não podemos prescindir, por exemplo, da UFSC, que há muitos anos está isolada por muros ideológicos – nossa esperança é que isso mude com o novo reitor, o professor Luis Carlos Cancellier”, diz Lummertz. linha azul