As coisas, mais das vezes, não são o que parecem ser. Faz muitos anos, ainda vivia em Porto Alegre, quando ouvi uma vizinha, senhora de idade, criticar um vizinho, homens nos seus 70 anos. Por que a crítica? Porque o vizinho anunciou que ia casar de novo, ele era viúvo, e que a sua nova esposa estava na casa dos 40 anos. Um horror. Nada que explicasse, protestava a vizinha. Hoje isso não é mais tão criticado. Penso até que virou moda. Mas será que é moda? E vale muito mais para os homens que para as mulheres. Não é difícil encontrar pelas esquinas casais bem “separados” pelo tempo, ele lá em cima e ela lá embaixo… Idades imensas a separá-los. Já ouvi pessoas chamando homens de tarados quando testemunham esses casamentos. Então, vamos lá, vamos à Psicologia. Casamento, grosso modo, deve ser para os iguais, entre os iguais, mas… Nos adiantados da vida, quando passamos, digamos, a casa dos 70, os pensamentos sobre a vida mudam. Sobrevém a consciência aguda da finitude, do pouco tempo que resta… Não há quem escape desse funil da consciência, desse certo desespero. Nesses momentos da vida, nós, humanos, olhamos para todos os lados, buscamos inspirações, buscamos impulsos existenciais que nos “anestesiem” da inquietante finitude. E é exatamente nesses momentos da vida que uma pessoa bem mais jovem ao nosso lado nos anestesia, pelo menos em parte, da consciência da finitude. Uma pessoa bem mais jovem ao nosso lado é a vida, a vida pulsante, a vida de muitos anos pela frente. Casar com tal tipo de pessoa é casar com uma nova juventude, com um entusiasmo que se confunde com a própria vida da pessoa mais velha. O que não nos faz mais rir depois de certa idade, faz rir aos mais jovens, e quando ela ou ele, ao nosso lado se diverte, se alegre, ri fácil, nós, mais velhos, inconscientemente fazemos o mesmo. Esse é o resumo da ópera, alguém mais jovem ao nosso lado nos rejuvenesce. Vem dessa verdade a busca inconsciente, mais por parte dos homens que das mulheres, por uma esposa mais “novinha”, não é tara não, é busca inconsciente por juventude, motivações e vida mais longa… O mais velho mistura sua idade ao da pessoa amada e se torna mais longevo…
ELAS
Liguei a tevê, Canal Brasil, e um ginecologista – homem – era o entrevistado. Entrevistado sobre a menopausa, sobre a fisiologia das mulheres, o sujeito era ginecologista… A emissora errou, quem tinha que ser entrevistada era uma ginecologista, uma mulher, afinal, quem conhece melhor o corpo e a fisiologia das mulheres senão as mulheres? É difícil mudar o jogo, mas… No dia em que “elas” decidirem, elas mudam todos os jogos sociais. Acordem, mulheres! Imponham-se!
TROUXA
Ontem, ouvi um bestalhão, um cara de uns 20 anos, dizendo que não se deve ou não se precisa mais perder tempo estudando ou tentando aprender inglês. Hoje tudo está à disposição das pessoas pelos meios digitais, eletrônicos, automáticos, na hora… Baita trouxa, abobado da enchente! Se o conhecimento, se o saber não estiver na cabeça de nada vai adiantar estar num digital, num “aparelho”. Vadião!
FALTA DIZER
Pesquisa da Forbes Health, Estados Unidos, dizendo que apenas 8% dos pesquisados na passagem de 2024 para 2025 cumpriram com as promessas. Os demais são os que nós conhecemos, prometem-se, rezam, dão pulinhos na água, mas suar que é bom, não. E os que fizeram promessas para este ano? Já começaram a se mover? – Ah, é em março…