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Cair de quatro

Por: Luiz Carlos Prates

15/06/2026 - 08:06 - Atualizada em: 15/06/2026 - 08:15

Faz tempo que discuto comigo mesmo. Aquela discussão que todos fazemos no silêncio das nossas inquietações. Eu disse todos? Generalizei sem falar com os amigos, mas… Como todos temos questões a serem resolvidas em nossas vidas, as discussões se me afiguram como inevitáveis. Você sabe que tenho uma caixa de sapatos cheia de frases. Frases que me são muito ásperas dependendo do momento. Há pouco, estava olhando para as nuvens e os pensamentos mascando ervas daninha. E o coração, companheiro, batucando por dentro, uma batida forte, o bumbo se impondo ao tamborim. Pensamentos que andavam para lá e para cá, como um passarinho sem ninho… Fui à minha caixa de frases, fui buscar uma mensagem, um tipo de Mega Sena emocional. Já fiz isso incontáveis vezes e me prometi não fazer mais, porém… Pus a mão lá no fundo da caixa e trouxe uma mensagem que me deu um “chega-pra-lá”, frase que um dia copiei do livro “Siga seu Coração”, do australiano Andrew Matthews. A frase, bem daquelas de porta de boteco, diz – “Quando foi que você tomou as decisões mais importantes da vida? Quando estava de quatro”. E aí vinham exemplos sobre o “estar de quatro na vida”. E por que estou no assunto? Porque não pude discordar do Matthews. Todos temos encrencas na vida, problemas que viram problemões e que vamos deixando para resolver na hora certa. A hora certa para resolver problemas na vida é o agora. Deixar para amanhã é acreditar nos milagres que a nossa cabeça alimenta ou inventa. E essa verdade vale para todas as nossas vacilações, seja na escola, na vida familiar, na saúde, no dinheiro escasso, nas amizades, em tudo. O cara mais rico do mundo, já disse, não dorme à noite. Será por falta de grana? Claro que não, mas por alguma coisa que ele não faz, não ousa fazer. Todos somos, em muitas questões, iguais, em muitas, não em todas. Agora, cá pra nós, nossos problemas, os que nos tiram o sono, mais das vezes são questões tão fáceis de resolver que só vamos saber disso quando já estivermos com a corda no pescoço: a corda da consciência, do arrependimento e das autocondenações. É tempo de não cairmos de quatro, é tempo…

DIGNIDADE

– “Ah, Prates, deixes de ser emburrado, os jovens são assim”! Já ouvi essa frase incontáveis vezes, porém… Não mudo. Passou por mim, há pouco, um guri, de uns 14 anos, o cabelo era preto de um lado da cabeça e loiro do outro. Nasceu assim? Claro que não, está, isso sim, na fila dos guris que já se revelam e cedo na vida. Que não me venham dizer que os jovens são todos assim. Não são. Os que têm dignidade já nascem com essa dignidade, claro, vale para todos nós, adultos metidos…

CREDOS

Como já disse, fui dar uns giros por um shopping de Florianópolis. Ao achar uma cadeira para sentar, havia sobre ela um panfleto religioso. Perdi as estribeiras. Num dos textos desse panfleto, lia-se: – “Saiba que pecadores sofrerão castigo eterno”. Formidável estupidez. Como pode um “deus” onipotente e caridoso condenar alguém a um castigo “eterno”? Nem entre os humanos isso existe. Salinha dos fundos…!

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FALTA DIZER

Alguns não escondem, outros fazem teatro. Do que falo? Dos milhões de brasileiros que estão torcendo contra o Brasil na Copa. E torcendo contra por quê? Por vieses estupidamente políticos, como se alguma coisa tivesse a ver contra a outra, mas… Os traidores da Pátria sempre existiram, não é mesmo, Calabar?

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.