Santa Catarina volta a ocupar posição constrangedora no ranking nacional de acidentes em rodovias federais. Dos dez trechos mais perigosos do Brasil em 2025, quatro estão localizados na BR-101 Norte. O dado, levantado pela Polícia Rodoviária Federal e sistematizado pelo Observatório Fetrancesc, não pode ser tratado como um episódio isolado. Trata-se da confirmação de um problema estrutural que se arrasta há anos e que, ao que tudo indica, segue sem solução compatível com sua gravidade.
O trecho entre os quilômetros 200 e 210, em São José, na Grande Florianópolis, permanece como o mais perigoso do país, com 575 acidentes e 10 mortes registradas ao longo de 2025. Outros segmentos da mesma rodovia também figuram entre os dez piores do Brasil, incluindo áreas em Balneário Camboriú e novos trechos na região metropolitana. Em 2024, Santa Catarina já aparecia nesse ranking negativo. Em 2025, o cenário não apenas se repetiu, como se agravou.
A BR-101 chegou ao limite há muito tempo. Santa Catarina possui uma das maiores densidades de frota do país, impulsionada pelo crescimento econômico, pelo aumento populacional e pela forte atividade logística. No entanto, a expansão da malha viária e as melhorias estruturais não acompanharam esse avanço. O resultado é visível no cotidiano: congestionamentos diários, tráfego sobrecarregado, imprudências potencializadas pela tensão constante e, inevitavelmente, mais acidentes.
Não se trata apenas de estatísticas frias. Por trás de cada ocorrência há histórias interrompidas, famílias desestruturadas e impactos sociais que ultrapassam qualquer planilha. Em todo o país, mais de seis mil pessoas perderam a vida em rodovias federais em 2025. Naturalizar esses números é aceitar que o trânsito continue sendo uma sentença silenciosa para milhares de brasileiros.
É urgente tratar a segurança viária como prioridade efetiva, com investimentos consistentes, planejamento de longo prazo e responsabilidade compartilhada entre poder público e usuários. A repetição dos dados mostra que não estamos diante de fatalidades inevitáveis, mas de uma crise anunciada que exige decisão, ação e compromisso imediato com a vida.