A polêmica em torno do boicote a empresas e produtos por posicionamento político expõe uma contradição que merece ser discutida. Quando a esquerda utiliza a pressão econômica para atingir empresas e comunicadores dos quais discorda, a prática é apresentada como mobilização legítima. Quando a direita adota a mesma estratégia, surgem acusações de intolerância e tentativas de desqualificar o movimento.
O deputado estadual Sargento Lima foi direto ao lembrar que essa estratégia não nasceu na direita. Ele resgatou uma declaração de Fernando Haddad, então ministro da Fazenda, na qual o petista defendia que consumidores pressionassem empresas por meio de suas escolhas. Haddad chegou a afirmar que deixava de comprar produtos de empresas cujas posições políticas não considerava adequadas. Como resumiu Lima: “Pau que dá em Chico, dá em Francisco”.
A pressão econômica tem dono?
O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol ampliou o debate ao lembrar a atuação do Sleeping Giants Brasil, movimento que transformou a pressão econômica em método de atuação política. A própria organização define sua estratégia como a transformação da mobilização digital em pressão econômica, incentivando anunciantes a retirar publicidade de veículos de comunicação e comunicadores.
O cidadão não é obrigado a financiar empresas, marcas ou serviços com os quais não concorda. Da mesma forma, empresas têm liberdade para manifestar suas posições. O mercado também é espaço de escolhas, e essas escolhas têm consequências.
O que não combina com democracia é defender a liberdade apenas quando ela favorece o próprio lado. Liberdade não tem proprietário, muito menos ideologia.
O custo de perder quem produz
É lamentável ver empresas de Santa Catarina anunciarem o encerramento de atividades ou a transferência de operações para outros países. A Karsten, tradicional indústria de Blumenau, fechará a fábrica de Ibirama, que emprega cerca de 75 pessoas, meses após inaugurar uma unidade no Paraguai. Já em Schroeder, a Morita Motors anunciou o fim das atividades e pediu autofalência, afetando cerca de 85 trabalhadores. E esses não são casos isolados. São empregos, investimentos e oportunidades que deixam de permanecer em Santa Catarina.
Novale fortalece a inovação em Jaraguá do Sul
Jaraguá do Sul mostra que desenvolvimento econômico não depende apenas de grandes indústrias, mas também da capacidade de incentivar ideias, tecnologia e empreendedorismo. O Complexo Novale é um exemplo disso. Com 46 empresas em operação, mais de 200 profissionais e 13 novos ingressos somente em 2026, o espaço consolida um ambiente favorável à inovação. A parceria entre Prefeitura e iniciativa privada demonstra como o poder público pode criar oportunidades, atrair negócios, reter talentos e preparar a cidade para o futuro. Investir em inovação é investir em competitividade, empregos qualificados e crescimento econômico.