Duas cidades vizinhas, Balneário Piçarras e Barra Velha, vivem uma mesma realidade regional e um desafio que não respeita fronteiras municipais: a insegurança criminal. Por que, então, não compartilhar inteligência, tecnologia e responsabilidades para tornar mais seguro, integrado e preparado o nosso litoral norte de Santa Catarina ?
Sim, quando o crime não respeita fronteiras, a segurança também não pode respeitá-las, a exemplo de Balneário Camboriú e Itajaí, que pretendem implantar um “Big Brother do Trânsito”, unindo forças para compartilhar dados de câmeras capazes de ler placas de veículos e auxiliar na identificação de carros furtados, roubados ou envolvidos em atividades criminosas.
Esta iniciativa leva a uma reflexão que merece atenção muito além dessas citadas cidades. Sim, a iniciativa evidencia uma verdade que, embora pareça óbvia, nem sempre encontra correspondência na administração pública: os problemas das cidades não terminam nos limites desenhados nos mapas, e as soluções tampouco deveriam terminar neles.
Um veículo utilizado em um assalto pode atravessar diferentes municípios em poucos minutos. Um automóvel roubado em uma cidade pode aparecer em outra. Uma quadrilha pode utilizar rodovias, ruas secundárias e acessos urbanos de municípios vizinhos para dificultar a ação das autoridades. Enquanto isso, as forças de segurança precisam reunir informações, cruzar registros e agir com rapidez.
Nesse cenário, compartilhar informações confiáveis pode fazer diferença entre identificar um veículo suspeito em tempo hábil e perder sua localização.
O “Big Brother” entre cidades vizinhas aproveita necessidades e oportunidades comuns para construir soluções adequadas, com planejamento, responsabilidade, tecnologia e economia.
Aliás, Barra Velha e Balneário Piçarras possuem muito mais em comum do que a proximidade geográfica. Separadas por poucos quilômetros, ligadas pela BR-101, conectadas por relações comerciais, deslocamentos cotidianos, atividades turísticas e desafios urbanos semelhantes, essas duas comunidades têm razões de sobra para aprofundar a cooperação institucional.
A pergunta, portanto, não é apenas se deveriam compartilhar dados de câmeras de monitoramento. A pergunta mais importante é: por que não transformar, de vez, a proximidade entre Barra Velha e Balneário Piçarras em uma estratégia permanente de integração regional ?
Não se trata de copiar automaticamente um modelo adotado em outras cidades, principalmente no exterior, em que saneamento básico, estrutura energética e mobilidade, por exemplo, são tarefas compartilhadas entre municípios vizinhos. Trata-se de aproveitar necessidades e oportunidades comuns para construir soluções adequadas às realidades, com planejamento, responsabilidade, tecnologia e participação das instituições competentes.
Ah, aproveitando a oportunidade e … “mudando de saco para mala” … quando é que a linda e repaginada avenida beira-mar de Balneário Piçarras será estendida adiante, continuando para o lado de Barra Velha, de forma que a divisão de municípios não seja assim tão nítida, principalmente, para os de fora, turistas e visitantes ?