Bebês chorões – Luiz Carlos Prates

Por: Luiz Carlos Prates

14/02/2024 - 07:02

A maioria dos humanos é formada por bebês chorões. O chamado bebê chorão é aquela criança que acabou de mamar e continua chorando, pede colo, ganha o colo e continua chorando, nada parece lhe fazer bem, uma criança chata, muito chata. Ocorre, e poucos se dão conta disso, é que a maioria dos adultos é formada por bebês chorões. Vivem reclamando de tudo, sentem-se diminuídos no trabalho, pouco valorizados na família, uns nadas. Chatos, mas… Esses bebês chorões enfrentam desafios daqueles de assustar, mas os buscam com um prazer especial, contraditório ao seu modo de viver, e especialmente no mundo do trabalho. Vi muita coisa do carnaval deste ano pela televisão, em casa, foi-se o meu tempo de bebê chorão. Foi-se mesmo? Vi durante o carnaval milhares de pessoas nas ruas, um sol de derreter catedrais, desconforto, sede, pouco dinheiro, um empurra-empurra de produzir ansiedades, todavia… Multidões de “bebês chorões” nem aí, pulavam, cantavam, pareciam se divertir, riam por nada, uma festa, um carnaval… Fico pensando. E se no mundo do trabalho, lá na empresa onde os “bebês” trabalham, eles tivessem que ficar no sol por muitas horas, ficariam? Será que não iriam se queixar da sorte e da “malvadeza” do chefe? E como é que no carnaval não reclamam da ditadura do rei Momo? Vale dizer, quando carregamos pedras para o nosso prazer não cansamos, quando temos que fazer algum esforço no trabalho que nos sustenta reclamamos, abrimos o bico como bebês chorões. É essa ficha que nos deve cair na consciência, uma coisa é o prazer sem sentido maior, mas que anestesia a consciência, outra coisa são os desafios no trabalho. Duvido que alguém no seu trabalho passe pelos desconfortos que os carnavalescos de rua passam, duvido. Mas é aquela coisa, consagrada ali na porta do boteco: – “Quem corre por seu gosto não cansa”. Na verdade, tudo na vida não passa de um ponto de vista, a coisa prazerosa ou desagradável é prazerosa ou desagradável na nossa cabeça. Para muitos, sexo é o paraíso, para “outras” é uma danação imposta pelas circunstâncias, digamos, do casamento… Ah, quase esqueço! O que disse do carnaval vale para o futebol. O sujeito fica horas e horas com sol na cabeça, numa arquibancada desconfortável para… Ver depois o time perder. Mas ele acha que se divertiu. C’est la vie!

DINHEIRO

Quem tiver produtos circulando pelo mercado não pode pensar em aumentar o lucro diminuindo a qualidade desses produtos. Quem fizer isso vai perder mercado, vai vender menos. Será que o pessoal de uma “grande” tevê não sabe disso? Foi um horror a qualidade dos repórteres, eles e elas, durante a cobertura do carnaval. Sim, sei bem, diminuíram muito os salários, e mesmo assim querem qualidade? Sonsos? Não, burros mesmo!

FLUIDEZ

Nos cursos e palestras de Comunicação Verbal que administro, enfatizo que a fluência, a assertividade, a ênfase no falar não vêm de berço, vem das práticas. Oradores milenares já diziam que “Normalmente se leva mais de três semanas para preparar um bom discurso de improviso”. Isso não significa decorar, memorizar textos, significa pensar, pensar, pensar. Fora disso é o improviso-improviso, que bem pode ser um desastre. Leituras, práticas e consciência ativa são tijolos da construção da fala, da boa fala.

FALTA DIZER

Ir para a praia com um sol desses que anda por aí é estupidez. Vejo todos os dias em Florianópolis, mulheres levando filhos, criancinhas, para o sol tórrido da praia. Depois querem atendimento de primeira no SUS? Pais e mães ordinários. Os adultos que se ferrem, as crianças indefesas não.