Segundo o “Wikcionário”, Bacana é uma gíria que pode ser utilizada como um adjetivo, significando: excelente/bom/interessante/legal, ou como um substantivo, também como gíria, para indicar riqueza, tipo: Viajar de jatinho é coisa de bacana (e de político – às vezes – sacana). No meu vocabulário, ela aparecia com certa frequência, quase tanto quanto o palavrãozinho nosso de cada dia. E, tanto num caso como no outro, a expressão vem automaticamente. Quase sem pensar. E foi nessa de “quase sem pensar”, que virei chacota no ano passado, quando subi ao palco da Feira do Livro com o Gregório Duvivier para mediar um bate-papo e, lá pelas tantas, o bacana tornou-se uma resposta automática a todas as suas falas. Deu tilt no HD e ferrou... Fiquei no bacana, bacana, bacana. Só me dei conta do mico (com bacana e sem banana) quando o Thiago, o Carlos (e uma galera no Facebook) vieram com piadinha pra cima de mim. O clássico “perde o amigo, mas não a piada”. Bacana. Ok. Acontece. Já passou. Muitos nem lembrariam se eu não falasse, outros não veriam o fato como nada demais e eu viveria muito bem com o bacana, usando e abusando. Porém (sempre há um porém)... Porém, não foi esta a única vez que o adjetivo me traiu, me marcou e me condenou. Há nove anos, a minha então noiva e eu preparamos um jantar de noivado para os pais dela e um casal de amigos. Ela, com seu jeito doce, solicitou que eu oficializasse o noivado (mesmo já estando morando juntos). Ok. Tudo bem. Como diria o Evandro Mesquita: “Ok, você venceu! Batatas fritas”. Fizemos o tal jantar e, lá pelas tantas, ela me cutucou, apertou minha mão, chutou minha canela, fez careta e gesticulou, até que eu “entendesse” que deveria levantar e fazer um formal pedido. Fui lá e fiz. E com todo o dom da palavra que Deus me deu, construí a seguinte frase: “Quero casar com a Sandra, porque ela é uma pessoa muito bacana”. Putz! Meus amigos, essa semana fizemos oito anos de casados. Aí já viu, né? Conversa vai, conversa vem, relembramos momentos do casamento, da festa, olha-se umas fotos aqui, outras acolá e, no meio dessa coisa toda, lá vem o bacana. O pior é que, agora, sempre que uso a palavra, seja numa conversa com amigos, em casa, num texto, dá aquela vergonhinha. Tanto que resolvi escrever este texto para tentar me livrar desse fantasma. Afinal, escrever é, de certa forma, um ato de libertação. É exorcizar seus próprios fantasmas. Essa crônica é a minha vela de sete dias para o adjetivo Bacana. É minha galinha preta com farofa e cachaça no cruzamento pro substantivo Bacana. É a inscrição na lápide desta palavra no meu vocabulário: “Aqui jaz Bacana”. Ah, e já que toquei no assunto Feira do Livro, falta pouco mais de um mês para acontecer o evento. Aparece por lá, vai ser bem bacana....... Ups!