posse fecomércio,bruno breithaupt(presd Estímulo ao setor produtivo é apontado pelo presidente da Fecomércio, Bruno Breithaupt, como principal medida para equilibrar a economia Pelo Estado Confiança e cautela: essas duas palavras dominaram o vocabulário dos empresários em todo país. A primeira, pela falta - que respingou nos investimentos e no enxugamento das vagas. A segunda balizou o comportamento do consumidor, que comprou menos diante do crédito caro, endividamento e juros altos. Em Santa Catarina não foi diferente. Embora o tombo tenha sido menor por aqui, o Estado amargou números bastante negativos: de acordo com o índice de atividade do Banco Central, a economia catarinense retraiu 3,9% em março, enquanto que a brasileira recuou 6,6%. O desemprego chegou a 6%, diante da média nacional de 10,9%. Mesmo neste cenário conturbado, o presidente da Fecomércio em Santa Catarina, Bruno Breithaupt, acredita no DNA empreendedor, indicadores diferenciados e economia diversificada, que podem ajudar o Estado a sair na frente na retomada do crescimento. Pelo Estado – Sob a ótica dos setores representados na Fecomércio, como o senhor avalia o momento do país? Bruno Breithaupt - O atual momento é de incertezas por conta do esgotamento de um antigo modelo econômico que rendeu seus frutos, mas que se saturou quando os gastos superaram a capacidade de financiamento da economia, a inflação se elevou e os investimentos arrefeceram. Diante disso, o clima atual é de fim de um ciclo, mas sem uma definição clara do que virá do futuro. Aí surge a oportunidade, pois é o momento propício para o setor buscar destravar suas principais bandeiras, como a reforma tributária e a trabalhista. Qual a sua expectativa para a retomada do equilíbrio e do crescimento econômico? O principal desafio deste novo governo é a retomada da confiança na economia, com uma política voltada ao crescimento do mercado interno, acesso ao crédito, juros em queda, inflação em níveis aceitáveis, elevação da capacidade de investimento e produtividade. Com a chegada de Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda, que já deu sinais que a busca pelo equilíbrio fiscal será a tônica do governo, a expectativa é que (Michel) Temer anuncie uma nova pauta que permita recuperar os empregos perdidos, reverter o saldo negativo de empresas fechadas e a compressão das margens de lucro em decorrência da queda do volume de vendas. Quais medidas o senhor considera essenciais para que isso ocorra? O fundamental é dar estímulos à iniciativa privada e assim elevar a produtividade da economia. Com isso, a inflação tende a se estabilizar, os salários poderão crescer de maneira sustentável, garantindo o crescimento do mercado interno, e os juros poderão rumar a patamares condizentes aos praticados no mercado internacional, irrigando a economia com mais crédito, motor essencial para o dinamismo econômico. O aumento da carga tributária deve ser descartado pelo novo governo, visto que penalizaria ainda mais o setor produtivo. Também é necessário racionalizar o gasto público, a inflação e os juros básicos. Como a crise tem sido percebida pela Fecomércio? Os empresários enfrentaram, em 2015, um dos anos mais amargos da história recente, quando ficou evidente o efeito dominó da recessão. O recuo na renda da população e a restrição ao crédito impactaram no consumo das famílias e, consequentemente, no faturamento das empresas. Com queda recorde no volume de vendas, o varejo catarinense fechou mais de 5,5 mil lojas no ano passado, impactando também no mercado de trabalho. Por funcionar como um grande empregador, o setor é pilar vital para a manutenção do menor nível de desemprego no país. O indicador aumentou neste primeiro trimestre para 6%, mas permanece o mais baixo entre as federações. Em Santa Catarina, a crise é sem ‘s’. Somos uma legião de empreendedores determinados a superar este cenário conturbado, movidos por inovação, criatividade e estratégia. O Estado ainda tem o diferencial de abrigar economia diversificada e ter distribuição de renda mais equilibrada, dois fatores que nos colocam à frente de outros mercados. Recentemente, a entidade lançou mais uma Agenda Política e Legislativa. O que o senhor destaca nesse trabalho? A quarta edição da Agenda Política e Legislativa do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina foi lançada em um momento bastante propício: o primeiro dia do novo governo Temer. A publicação intitulada “Da agenda da crise à agenda do crescimento” elenca os principais temas para a recuperação do país. Este momento evidencia o papel essencial da participação social na política e a agenda reforça justamente a necessidade de uma atuação conjunta com o parlamento para fazer Santa Catarina e o Brasil voltarem a crescer, criando empregos e gerando riquezas. Em 2015, a Fecomércio-SC monitorou, atuou e contribuiu com diversas matérias nos mais variados segmentos. Das 648 proposições legislativas apresentadas, a Federação elegeu 111 para acompanhar por serem consideradas potencialmente impactantes às empresas do setor terciário.