Até que “a morte” os separe?

FOTO: divulgação

Por: Emílio Da Silva Neto

23/11/2023 - 09:11 - Atualizada em: 23/11/2023 - 16:41

É triste, mas, antropológica e etimologicamente, a palavra “família” vem do latim, “famulus” (‘servente’), em alusão ao conjunto de escravos e criados enquanto propriedade de um só homem. Ainda bem que houve evolução: pelo conceito sociológico, “família” é a principal forma de organização dos seres humanos, agrupamento social que se baseia em laços de parentesco, de dois tipos: de afinidade, derivado de vínculo social (casamento ou adoção) e de consanguinidade (pais, filhos, irmãos, tios, primos e netos); pelo conceito jurídico, “família” é uma comunidade formada por indivíduos não aparentados, unidos por laços naturais, afinidade ou vontade expressa, independentemente de orientação sexual (Lei nº 11.340, de 2006, art. 5º, inciso II, e parágrafo único); por fim, pelo conceito religioso (do Papa Francisco, no Congresso Latino-americano da Pastoral Familiar no Panamá, em 2016), “família é um grupo de pessoas, cheias de defeitos, que Deus reúne para que convivam com as diferenças e desenvolvam a tolerância, a benevolência, a caridade, o perdão, o respeito, a gratidão, a paciência e os limites entre direitos e deveres, enfim, que aprendam a amar, fazendo um ao outro o que quer que o outro lhe faça, sem exigir deles outros a perfeição que ainda não temos. Nós não nascemos onde merecemos, mas onde necessitamos evoluir”.
Cientistas sociais já sabem, há muito tempo, que os casados tendem a ser mais felizes que os solteiros, mas não sabiam se isso ocorre porque o casamento propicia a felicidade ou porque as pessoas mais felizes têm tendência maior a se casar.
Publicado pelo Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas dos EUA, um novo estudo incluiu em seus cálculos os níveis de felicidade das pessoas antes do casamento para atestar o poder do matrimônio de trazer bem-estar, ainda que hoje menos pessoas estejam se casando. Em uma escala de zero a dez, a pesquisa mostrou que as pessoas casadas reportaram um nível de felicidade maior em todas as faixas etárias.
Os pesquisadores já tinham entrevistado as mesmas pessoas anos antes (trata-se de um estudo de acompanhamento contínuo). Com isso, perceberam que era o casamento mesmo que aumentava a felicidade. Ao todo, os pesquisadores utilizaram dados de mais de 300 mil entrevistas, feitas em diversos países.
Uma razão disso pode ser o papel exercido pela parceria no casamento, em contraposição à solidão, conhecido fator que leva à infelicidade e, até, a doenças crônicas. O novo estudo mostrou que as pessoas que enxergam seu cônjuge ou parceiro como seu melhor amigo obtêm o dobro de satisfação de vida com o casamento que as outras. Ou seja, para isso, o mais importante é que a amizade não seja esquecida no meio da correria e das tensões do cotidiano. E isto deve ser comunicado, tanto em palavras quanto em ações, algo que, muitas vezes, a familiaridade que vem com o casamento faz esquecer os sentimentos de amor e revigoramento que eram compartilhados no início.
Nas três religiões monoteístas (Abraâmicas), o casamento é tido como um compromisso duradouro e respeitoso. No cristianismo, é considerado uma união permanente entre um homem e uma mulher. No judaísmo, o casamento é considerado um compromisso duradouro. No islamismo, o casamento é altamente valorizado, por promover a estabilidade familiar e social.
Como na meia-idade, as pessoas tendem a sentir menos satisfação com a vida, principalmente porque essa é uma fase em que as exigências profissionais e familiares impõem mais estresse, surge a pergunta que “não quer calar”: continuar “entre tapas e beijos” ou decidir “partir”, levando em sua bagagem os compromissos intransferíveis de eterno respeito ao(à) ex, bem como de valores e legado aos filhos, afilhados e netos ?
Enfim, como muitos textos religiosos são profundamente metafóricos, tal como o “não só de pão vive o homem”, que tal o “até que a morte os separe” acrescentar ao perecimento (finitude) da vida, também, o fim da “cumplicidade” (misto de atração, amizade, amor, doçura e gratidão), esta consumida pelo tempo sem “refrigério”.
A palavra “refrigério” em hebraico
significa respirar, animar, celebrar, alegrar-se, festejar.
O que Deus fez no sétimo dia
não foi passar a sua mão na testa, tirar o suor e dizer:
“Ufa !!! Terminei !!!”.
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