Sou um amante de lugares quietos; estranhos para muitas pessoas. Amo percorrer lugares distantes do cotidiano afobado. Sou atraído por lugares perdidos esquecidos há muito tempo. Falo lugares interioranos, às vezes aqueles exatamente como descrevidos pelos nossos avós; uma casinha, um quintal, um lago, cachoeira,  pássaros, cachorro.... Por vezes, até eu me pergunto por quê? É nesses lugares que paro para pensar, talvez para me ouvir enquanto observo ao redor. Li uma vez: sem o silêncio a alma fica pequena e a morada em que habita torna-se ainda mais acanhada. Acredito que o silencio é uma matéria-prima precisa, para uma viagem por exemplo. Voltei recentemente de um período na Patagônia. Lugar de longas distâncias, ideal para se pensar no silêncio. Por vezes, pisei em lugares tão silenciosos que até sentia o vibrar das coisas à minha volta. Mesmo lugares de cama fétida, onde me deitava, com a mesinha ao lado com um livro sujo, janelinha de vidro trincado, o chão de pedras frias, a cadeira de perna manca, tudo parecia surdamente respirar. Respirar num silêncio com receio de denunciar a própria existência. É um privilégio estar numa cidade que possui shopping centres, cafés, supermercados, restaurantes, lugares com música alta, onde a cama é normalmente mais confortável, mas toda manhã, nessas cidades, sou acordado por buzinas, ruídos de caminhões pesados, de vez enquanto, turbinas de aviões. Tem vezes que me sinto no meio de alguma guerra. Creio que o silêncio é uma grande experiência para as pessoas, tanto para os mais velhos quanto para os mais novos. O silêncio é ótimo para perceber que estou lá, para estar lá sozinho e se ficar parado em frente a essas paisagens desoladas, longes, o silêncio surge dessas vistas e paisagens e toma conta de mim. Hoje, o silencio é um privilégio, um dos maiores privilégios que se pode ter.