Instigados por conhecer o desconhecido, pousamos na ilha de Páscoa na véspera de Natal. Em que pese os trocadilhos e a dimensão enigmática do local, o fato é que celebramos o Natal na Páscoa. A “Teapi Rapa Nui”, na língua nativa “Rongorongo”, é o ponto habitado mais isolado do planeta, ou, no idioma nativo, “Te Pito O Te Henúa” (umbigo do mundo). Está localizada na Polinésia oriental, no meio do Pacífico sul, distante 3.700 km da costa chilena. Com cerca de 170 km² de área, estamos falando de uma ilha pequena em extensão territorial, porém, imensa em mistérios. Oportuno registrar que quatro dias foram suficientes para percorrermos sua dimensão física, no entanto, um tempo insignificante para entendê-la. A propósito, a ciência dispõe de muitas pesquisas e teorias que buscam desvendar essa civilização perdida, mas, todas no campo da suposição mais aceita. Ou seja, ainda não dispomos de respostas comprovadas. Então, o prudente a se fazer, é aguçar a imaginação, sentir o local e buscar suas exclusivas respostas. A primeira impressão ao pisar na ilha e contemplar os gigantes e enigmáticos Moai, me remeteu às seguintes deduções particulares: ou a ilha guarda incompreensíveis registros concretos de inteligências extraterrestres outrora implantados aqui, ou os terráqueos humanos, em algum momento remoto, sofreram aqui profundo colapso mental tendo que reprogramar a inteligência a partir do zero. Deduções particulares à parte, constatações científicas há seu tempo, o relevante disto tudo é que as respostas essencialmente marcantes são perceptíveis e moldam o cotidiano, basta querer enxerga-las e compreendê-las. Curiosamente obtive significativas respostas. Elas são advindas das tradições culturais desse povo, de suas imagens, músicas, tatuagens, valores, semblantes, enfim, de sua identidade peculiar. Invariavelmente, ao buscar diálogos com os habitantes dessa ilha, os indagava, providencialmente, sobre sua descendência. Meu intento era identificar nos descendentes Rapa Nui, algum padrão comparativo com meu meio. Mesmo que de forma empírica, minha constatação foi de ter conhecido pessoas providas de um sentido de existência e humanidade mais elevado. Embora longinquamente isolados, expressam mais felicidade, autenticidade e unidade social. Talvez esse seja o grande enigma a ser desvendado lá do ”umbigo do mundo” e alastrado para o corpo inteiro do mundo.