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Antídio muda o jogo

Por: Claudio Prisco Paraíso

11/06/2026 - 06:06

O fato político da semana em Santa Catarina foi a decisão inesperada do deputado estadual Antídio Lunelli de disputar o Senado da República pelo MDB. Quando praticamente todos davam como certa sua candidatura à reeleição para a Assembleia Legislativa, o ex-prefeito de Jaraguá do Sul aceitou integrar o projeto majoritário liderado por João Rodrigues, garantindo ao MDB presença efetiva na chapa e, sobretudo, preservando uma tradição histórica: o 15 jamais ficou fora de uma disputa majoritária no Estado.

Em 2018, Mauro Mariani concorreu ao governo, embora tenha ficado fora do segundo turno — naquele pleito, pela primeira vez, o MDB não avançou à etapa decisiva da eleição catarinense. Em 2022, Udo Döhler foi candidato a vice-governador, enquanto Celso Maldaner disputou o Senado. Desta vez, porém, a possibilidade de o MDB aparecer apenas com Carlos Chiodini na vice de João Rodrigues já começava a provocar desconforto interno e forte sensação de rebaixamento político. A entrada de Antídio muda completamente esse cenário.

Simbolismo

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E há um componente simbólico de enorme peso político. O mesmo Antídio Lunelli que, em 2022, renunciou à Prefeitura de Jaraguá do Sul para disputar o governo e acabou barrado dentro do próprio MDB, agora ressurge como peça central de uma construção majoritária estadual.

Espírito público

Mais do que isso: demonstra grandeza política ao aceitar formar dobradinha justamente com o senador Esperidião Amin, personagem que construiu, ao longo de mais de quatro décadas, uma trajetória marcada por duros enfrentamentos contra o MDB catarinense.

Musculatura

A presença de Antídio fortalece diretamente o projeto de João Rodrigues, mas o maior beneficiado eleitoralmente pode ser justamente Esperidião Amin. Muito mais do que contar com dois suplentes emedebistas, Amin passa a dividir chapa com um nome de forte densidade política e empresarial dentro do MDB.

Conexão

Na prática, cria-se uma ponte capaz de facilitar a transferência de votos de segmentos históricos do partido para a candidatura do senador à reeleição — algo impensável até poucos anos atrás, diante do histórico de rivalidade entre Amin e o MDB.

Incentivo

Aliás, Amin foi um dos principais entusiastas da entrada de Antídio no projeto majoritário. João Rodrigues trabalhou intensamente nessa direção, mas a pressão interna do MDB teve papel decisivo. E, nesse aspecto, poucos atuaram tanto quanto Carlos Chiodini.

O padrinho

Foi Chiodini quem convidou Antídio para concorrer à prefeitura em 2016. E foi também um dos principais articuladores para convencê-lo a aceitar a disputa ao Senado. Mesmo fora de Jaraguá do Sul — hoje com domicílio eleitoral em Itajaí, onde concorreu à Prefeitura em 2022 —, Chiodini segue profundamente conectado às lideranças empresariais e políticas jaraguaenses. O movimento representa uma vitória política inequívoca do deputado federal emedebista.

Reação

Quem acaba acumulando desgaste nesse processo é o governador Jorginho Mello. Antídio chegou a ser convidado para assumir a primeira suplência de Carol De Toni ao Senado. Avaliou a hipótese, animou-se inicialmente, mas recuou.

Quintal

Pesou, sobretudo, o desconforto provocado pelo movimento liderado pelo governador em Jaraguá do Sul, por meio da própria Carol De Toni, para filiar o prefeito Jair Franzner ao PL — articulação que deve ser oficializada nas próximas semanas.

Na prática, o gesto foi interpretado como um atropelo direto à liderança política de Antídio na cidade.

Jaraguá

É importante lembrar que Jair Franzner entrou na política pelas mãos de Antídio Lunelli. Em 2020, ao disputar a reeleição para a Prefeitura de Jaraguá do Sul, Antídio já trabalhava com a perspectiva de deixar o cargo para concorrer ao governo do Estado em 2022.

Fator essencial

Por isso, escolheu como vice alguém de absoluta confiança, capaz de administrar o município sob a mesma lógica de gestão empresarial implantada por ele: Jair Franzner.

Mas a relação entre os dois esfriou ao longo do tempo, apesar do forte empenho de Antídio na campanha de reeleição do prefeito em 2024.

Lenha na fogueira

A investida do PL sobre Franzner acabou funcionando como combustível adicional para que Antídio voltasse a mirar uma vaga majoritária estadual — projeto interrompido traumaticamente dentro do MDB em 2022.

Herdeiro

Com a saída de Antídio da disputa proporcional, abre-se espaço para a candidatura a deputado estadual de seu chefe de gabinete na Assembleia Legislativa, Eduardo Bertoldi.

Homem de absoluta confiança do parlamentar, Bertoldi é de Jaraguá do Sul e há pelo menos três anos percorre Santa Catarina trabalhando a estrutura política construída para a reeleição de Antídio Lunelli.

Identificação

Nas bases emedebistas, já é um nome amplamente conhecido e chega à disputa com uma candidatura extremamente competitiva — tão encaminhada quanto estava o próprio projeto de reeleição de Antídio à Assembleia.

Novo quadro

A decisão de Antídio Lunelli produz efeitos muito além do MDB. Ela reorganiza o tabuleiro da oposição ao governador Jorginho Mello, fortalece João Rodrigues, amplia significativamente o potencial eleitoral de Esperidião Amin e ainda cria um novo centro de gravidade dentro do MDB catarinense.

Definitivamente, a eleição de 2026 em Santa Catarina começou mais cedo — e mudou de patamar nesta semana.

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