Marilse e Taís eram as típicas amigas de infância. Daquelas que dormiam uma na casa da outra, contavam segredos, faziam planos de casar no mesmo dia e morar na mesma rua, serem amigas para sempre... Claro que, depois da adolescência, os planos mudam, as pessoas mudam, sem contar o Carlinhos, carinha que Marilse amava e que tinha uma queda por Taís. E a Taís foi na onda do Carlinhos, Marilse descobriu e a inquebrável amizade rachou-se. Lógico que, depois dessa fase, muitas indiretas, uma falando mal da outra por aí, voltaram a ser amigas, melhores amigas, porém, não mais inseparáveis. Cada uma havia escolhido um destino diferente. Cada uma foi para uma cidade diferente, com trabalhos diferentes e amigos diferentes. Óbvio que, mesmo assim, as duas não perderam contato, continuaram se ligando, se visitando, comentando “linda” nas fotos do Facebok e passando horas a fio conversando. Sempre que elas se falavam, havia uma novidade. E a novidade da última conversa delas, era o novo namorado de Taís. Marilse, já era casada, então convidou a amiga para uma visita, para conhecer seu namorado oficialmente. Certamente que, quando Marilse abriu a porta, as duas deram gritinhos, pulinhos e se abraçaram. Paulo, namorado de Taís, ficou na porta, estático, mudo, esperando alguém falar alguma coisa. Jair, marido de Marilse, não tirou os olhos da tevê, alheio a tudo que estava acontecendo. - Oi, amigaaa, esse é o Paulo, meu namorado. - Prazer, Paulo. Aquele é Jair, meu marido. Jair! Jaí-ir, olha aqui, esse é o Paulo. - Oi. – Disse Jair. - Oi. – Respondeu Paulo. - Ai amiga, deixa o Paulo aí com Jair e vamos lá pro quarto, colocar a conversa em dia. As duas amigas desaparecem no corredor estreito da casa, deixando os dois estranhos na sala. Depois de alguns instantes, Jair resolve socializar: - Senta aí. - Ah, obrigado. Tá passando o quê? - Jogo. - Legal. - Cervejinha? - Cervejiiinha! Responde Paulo, mostrando certa empolgação. - Amendoim? - Amendoiiimm. Diz Paulo novamente. Os dois estranhos dividem “uh” e “na trave” e “quase” e “juiz ladrão” até o fim do jogo, quando Jair diz: - Gosta de Playstation? - Gosto. - Vamos jogar? - Certeza. Passadas algumas horas, Marilse e Taís saem do quarto, se abraçam e se despedem, dizendo que precisam se encontrar mais vezes. Paulo diz “tchau”, Jair responde “tchau, apareça mais vezes”. Jair repara Marilse inquieta: - Tudo bem, querida? - Sei lá, a Taís não é mesma. Já não temos tanta afinidade. - Que pena. Gostei tanto do rapaz, temos muitas afinidades.