Muitas pessoas questionam: o que eu ou nós temos com a eleição de Donald Trump? Temos que nos preocupar com o nosso país e não com os cidadãos estadunidenses. Defendo que nós, brasileiros, podemos ser muito influenciados pelos Estados Unidos. Somos a nação mais “americana” na América Latina. Afirmo isso por ter pisado em quase todos os países da América Central e América do Sul. Alguns desses países diferentes vezes. Economicamente, depois da China, os Estados Unidos são o nosso maior parceiro. Os Estados Unidos “vendem” a nós o “jeito americano de viver” focado no consumismo exacerbado e que aprendemos rápido e muito bem. Nenhum outro país usa tantas palavras em inglês no seu cotidiano. Parece não querermos ter orgulho da própria língua, a meu ver. Nenhum país latino adota tantos nomes em inglês nos seus filhos como no nosso. O complexo americano está tão enraizado que a população de menor renda adora assistir novelas rodadas em Miami, ou que os personagens usem a palavra “Miami” nos seus diálogos. E o sonho de consumo de quase todo cidadão de classe média é uma viagem a Miami e região. Mas vamos falar sobre o que a vitória de Trump influencia de forma direta nas nossas vidas. Sua influência está no seu discurso. Devido à interferência que os Estados Unidos possuem sobre as sociedades nos quatro cantos do mundo, toda a sua retórica de campanha reverbera por elas. O discurso contra imigrantes, contra muçulmanos, contra gays e a maneira extremamente desrespeitosa como ele fala das mulheres. E todo esse discurso de ódio e intolerância tem reverberações muito profundas nas sociedades e dentro de nossos lares. Mexe com os valores estabelecidos. E nos faz questionar o que vem a ser essa tal de tolerância tão desejada para um mundo melhor e mais igualitário. O cidadão comum vai se perguntar: se o presidente dos Estados Unidos (que é a referência de mundo para ele) diz assim, por que tenho que pensar de outra forma? Ou por que não posso colocar para fora meus valores e pensamentos que são similares ao dele? Nas estratégias globais também; tudo o que acontece nos Estados Unidos reverbera no mundo todo. Vemos a confusão causada com a invasão do Iraque no Governo Bush. O Estado Islâmico é uma consequência direta da invasão do Iraque. E essa confusão é tamanha que ninguém sabe como sair dela. Porém, vamos esperar e quem sabe Donald Tramp seja um Reagan de fato. Quando Ronald Reagan, considerado um caubói, foi eleito presidente, havia muito medo mundo afora. Medo que ele poderia acabar com o mundo através de bombas atômicas - na época, assunto no auge das discussões do planeta. E foi ao contrário, a única bomba que ele realmente “sapecou” foi sobre o Muro de Berlin.