A presença física do fundador como mantra da cultura empresarial

FOTO: ISTOCK

Por: Emílio Da Silva Neto

07/12/2023 - 09:12 - Atualizada em: 07/12/2023 - 15:51

Frequentemente, quando chego à redação do OCP e vejo o CEO Walter Janssen Neto em sua mesa de trabalho, lembro-me do Décio da Silva, fazendo o mesmo na Weg e isto me leva ao passado.

Na Weg, os cofundadores Werner e Eggon, já na terceira (quase quarta) idade, davam “passadinhas” diárias pela empresa, o Sr. Urbano, mesmo em cadeira de rodas, rodava pela produção e, na Duas Rodas, o Sr. Dietrich, já beirando 90 anos, circulava por laboratórios e salas.

Qual, afinal, então, a importância, o significado destas presenças físicas nas empresas? Elas contribuem em algo? Será que evitam que se perca o mantra cultural presente desde os primórdios da empresa e que possibilitou o crescimento e sucesso da empresa?

A cultura, os valores, o jeito de ser e de fazer de uma empresa, segundo a Professora e Consultora Betania Tanure, se constituem com a ação e a presença permanente do fundador ou do Presidente e impregnam as relações, as conversas nos corredores e as decisões tomadas, formando-se, assim, o chamado ‘cheiro do lugar’, sem necessidade nem de se pensar em conceituar a cultura da empresa … ela, simplesmente, é !!!

E quando ele se afasta do dia a dia, por exemplo, pela idade, há uma tendência forte, quando o crescimento da empresa é grande, de se deixar de praticar aqueles valores fundamentais de outrora, dentre os quais, a simplicidade e a humildade para com liderados, fornecedores e clientes.

Isto, principalmente, porque o crescimento da empresa gera reconhecimento público, até sob forma de ‘cases’ escritos e matérias em capas de revistas, algo comemorado pelos executivos, muitos dos quais, com arrogância, algo que abafa a iniciativa e o entusiasmo da equipe.

No mais, a obediência à hierarquia e o excesso de controles internos, que cresceram silenciosamente, além do temor de comprometer o sucesso obtido, passam a substituir a paixão dos tempos do desbravamento, principalmente, se o fundador, sem perceber que a cultura está se perdendo, continuar afastado presencialmente do dia a dia.

Aqui vale recordar a atenção da Weg a seu cofundador Werner que, todos os dias, parava o seu pequeno Smart, na porta de cada galpão da produção, desembarcando e indo a pé até cada máquina e seu operador, para pôr “as novas em dia”. Isto até que um dia, as pernas do Sr. Werner, pela idade, travaram e ele não conseguia mais sair do seu mini carro. Eis a solução: a Diretoria mandou, rapidamente, alargar as portas para o Sr. Werner chegar de carro, sem desembarcar, e ir até onde queria dentro dos galpões.

O mesmo se deu com o Sr. Urbano e sua cadeira de rodas. Ela era carregada até às portas dos galpões, onde faziam o Sr. Urbano se sentar nela e ele começar a empurrar as rodas com as próprias mãos.

O desafio, nestas circuladas pelo “piso da empresa” é identificar quais os ‘drives’ (em português, as “miras”) que devem continuar inegociáveis, isto é, aqueles ‘resgatáveis’ (princípios, se perdidos) e os ‘reforçáveis’ (por exemplo, a simplicidade e a força do coletivo), bem como aqueles a serem ‘revisitados’, tais como, os ‘retiráveis’ (por exemplo, a arrogância hierárquica), os ‘ressignificáveis’ (face ao perigo das intimidades, antes, inocentes) e, ainda, os ‘renováveis’ (face aos novos interfaceamentos empresa-colaborador).

Mas, há algo para o qual o fundador ou o executivo mor, já passado da idade, tem que “bater forte o pé”: ainda que sejam declarados eficazes, alguns métodos importados, principalmente, o americano, partem de premissas culturais muito diferentes, ou até opostas, às da cultura empresarial brasileira. E isto não pode vir “goela abaixo”, mediante pressão de jovens egressos de MBAs charmosos.

“O olho do dono engorda o porco”, mas, na idade avançada, é um olho mais de sabedoria, valores e princípios voltados à cultura empresarial e não de energia, algo que cabe aos executivos na ativa e não mais àquele “prestes a pendurar as chuteiras”.

Enfim, nesta “altura do campeonato”, o olho do dono pode não “engordar o porco”, mas que o deixa mais cheiroso, isso ele, com certeza, … o deixa !!! rsrsrs …

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Emílio Da Silva Neto

PhD/Dr.Ing, Pós-Doc

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(Governança, Profissionalização e Sucessão Empresarial Familiar)

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