A história costuma ser reescrita. Às vezes por justiça. Outras, por conveniência. O que é certo é que sempre haverá contradições e diferentes pontos de vista. Nos últimos anos, virou quase moda desconstruir heróis. Questionar tudo, relativizar tudo, reduzir figuras históricas a contradições. Com Tiradentes não foi diferente.
Mas há uma diferença entre revisar a história e esvaziar o seu significado. Tiradentes pode não ter sido perfeito. Aliás, não foi. Nenhum personagem histórico é porque a perfeição é divina reservada a Cristo.
A questão é outra: o que Tiradentes representa — e por que isso ainda incomoda tanta gente. Ele representa a ruptura. Representa a coragem de dizer “não” a um sistema pesado, centralizador, que tirava das pessoas o direito de prosperar. Um sistema que cobrava demais, entregava de menos e tratava o cidadão como súdito. Soa familiar?
A Inconfidência Mineira não foi apenas um movimento separatista. Foi um grito contra o excesso, contra o abuso, contra a falta de liberdade econômica e individual. E é exatamente aí que Tiradentes deixa de ser passado — e passa a ser presente. Porque o Brasil ainda convive com velhos problemas: um Estado grande demais, caro demais e, muitas vezes, distante de quem realmente produz.
Quem empreende no Brasil sabe o peso disso. Quem gera emprego sente isso na prática. Quem tenta crescer, muitas vezes, esbarra no mesmo tipo de barreira — não mais colonial, mas estrutural. Tiradentes enfrentou isso da forma mais radical possível. Pagou com a própria vida.
E, por isso, virou símbolo.
Não por ser perfeito.
Mas por ter tido coragem quando muitos preferiram o silêncio.
E talvez seja justamente isso que mais falta hoje.
Coragem para enfrentar o que está errado. Coragem para defender liberdade de verdade — não só no discurso, mas na prática. Coragem para questionar estruturas que travam o crescimento e limitam oportunidades.
Liberdade não é um presente. Nunca foi. É uma conquista diária. E, muitas vezes, incômoda. Por isso, lembrar de Tiradentes não é um exercício de nostalgia. É um lembrete de que o Brasil só avança quando alguém decide não aceitar o que está imposto. E de que, no fim, a escolha continua sendo a mesma: se acomodar… ou ter coragem de mudar.
Eu prefiro a coragem, sempre!