Entre idas e vindas, dos últimos doze anos, se somar em número de dias, estive na Índia por quase um ano e meio. Pra mim, a Índia sempre será notícia. É a maior democracia do mundo, 800 milhões de indianos votam em eleições (o Brasil tem 135 milhões de eleitores). O livro “Contrastes e Confrontos” de Euclides de Cunha veio-me à mente. Euclides aparece neste livro como um apaixonado pela geografia. Mostra-se atualizado com os fatos da época (1907) na Europa, Ásia e América, num mundo com limitações de comunicação. Limitações de comunicação, em 2014, diria que 50% da população da Índia, que supera os 1,3 bilhão de habitantes, vive com as mesmas dificuldades dos tempos de Euclides da Cunha, em 1907. O nível de desigualdade indiano é aterrador. Tendo a mais alta taxa de natalidade do mundo, em poucos anos a Índia se tornará o país mais populoso do planeta. De acordo com dados oficiais, 1% da população indiana é de milionários e bilionários (65 em 2014, segundo a revista Forbes); 10% integra a classe média alta e outros 13%, a classe média baixa. Os restantes 960 milhões, ou 77% dessa população, vivem abaixo do nível de pobreza, com poucas chances de inclusão na economia de mercado. Segundo os governantes indianos, os 77% da população que vivem com menos de R$ 1 (20 rupias) por dia são chamados de pobres e vulneráveis; 88% desse grupo é formado por castas e tribos; 85% são muçulmanos; a maior parte é analfabeta e sofre de desnutrição. Eles emergem como uma espécie de coalizão dos discriminados socialmente e economicamente abandonados. O sistema de castas, abolido formalmente pela Constituição indiana, e o hinduísmo, uma espécie de união de crenças com estilo de vida, são em grande parte responsáveis pela aceitação dessa situação e pelo conformismo dos mais pobres. Essa realidade não impede, em casos isolados, contudo, a ascensão social e mesmo política, como ocorre no Estado de Kerala. Localizado no sul do país, esse Estado engloba Goa (lugar onde o portugues é uma das línguas ainda pronunciadas) e é o mais rico per capito. Em Kerala uma mulher vinda da classe mais pobre e membro do Partido Comunista governa há mais de 20 anos. Corrupção é o problema da Índia. Nós, aqui, no Brasil, estamos acostumados com esse problema “estranho”… Corrupção é uma característica da Índia. O nome marajá vem deles. Lá os detentores do poder “consomem” muito, mas muito dinheiro. Pensamos em alguns políticos brasileiros. Depois imaginaremos que eles são formigas diante dos “elefantes” indianos.

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