celio bayer Um dos maiores desafios para que o Brasil se posicione de maneira decisiva no mundo globalizado, sem dúvida, está na capacidade de concorrer em igualdade de condições com os principais competidores internacionais. No âmbito da indústria, ao falarmos de competitividade a afirmação nos remete para o campo da Educação, à capacidade de nos ajustarmos aos novos padrões de exigência do mercado de trabalho. Vale a reflexão, neste aspecto, da afirmação deixada pelo saudoso Eggon João da Silva, ao celebrizar em uma frase a contribuição que a indústria pode dar para que o país assuma uma cultura empresarial forte, cunhada na valorização das pessoas, na eficiência e produtividade, e como ensinamento às gerações futuras. “Quando faltam máquinas, você as pode comprar; se não tiver dinheiro, pode pegar emprestado; mas homens você não pode comprar ou pedir emprestado, e homens motivados são a base do êxito”, deixou Eggon como motivação que vem ao encontro do esforço que a indústria catarinense realiza na busca de novos parâmetros para a o setor produtivo em nosso estado, integrando várias ações que certamente se refletirão na nossa capacidade de conviver com os novos cenários do mercado de trabalho. Em 2012, com o lançamento do movimento A Indústria pela Educação, a FIESC deflagrou uma iniciativa de mobilização social em torno deste tema tão importante e desde então lidera uma agenda com o objetivo de trabalhar pela melhoria dos indicadores e contribuir para a qualificação da mão de obra. Em março deste ano, o movimento passou a se denominar Movimento Santa Catarina pela Educação, contando a partir de então com a adesão de outras importantes representações dos trabalhadores, como as federações do Comércio, dos Transportes e da Agricultura. É um processo contínuo que busca unir esforços em torno da Educação no Estado, a partir do diagnóstico de que apenas 50% dos trabalhadores da indústria de Santa Catarina tinha o ensino básico completo, enquanto o recomendável é de que este percentual seja de 85% de trabalhadores possuindo o ensino médio completo. Esta condição é uma exigência para que nossas empresas possam acompanhar a evolução dos processos produtivos, capaz de enfrentar um mundo cada vez mais globalizado e a concorrência acirrada com a exigência de produtos com mais qualidade e melhor produtividade. Na região do Vale do Itapocu os indicadores apontam que 63% dos trabalhadores já possuem a formação básica, é um indicador acima da média, mas que requer ainda mais empenho para que tenhamos um padrão de excelência capaz de assegurar melhor desempenho às nossas indústrias. A partir destes parâmetros, a FIESC e suas casas SENAI, SESI e IEL têm se articulado para ofertar à indústria regional programas de qualificação com cursos inovadores, investindo em ambientes que estimulem a inovação e o desenvolvimento tecnológico, e no bem-estar e na saúde do trabalhador. Como resultado, teremos mais evolução em processos e produtos, e trabalhadores motivados e comprometidos, preparados para as transformações do mercado. Cada vez mais é perceptível que precisamos estar cientes de que o desenvolvimento social passa por um envolvimento cada vez mais consistente, com o engajamento dos governos, de empresas e da sociedade como um todo. E nesta caminhada não há outra alternativa que não seja por meio da Educação.