"Renda Fixa virou Perda Fixa?"
"Renda Fixa virou Perda Fixa?"

Texto escrito por Ludmila Marques

Estamos com a taxa Selic na sua mínima histórica, chegando a patamares de alguns dos países mais desenvolvidos do mundo. Embora para economia seja ótimo, para o investidor de renda fixa fica aquela pergunta: “agora eu ganho menos. É hora de ir à Bolsa?”.

Calma! O mercado financeiro não é uma agência de viagens, onde você escolhe o destino de acordo com sua vontade ou curiosidade de conhecer. A Bolsa de Valores, por exemplo, tem uma dinâmica diferente, voltada para quem suporta riscos e para quem tem objetivos de longo prazo.

Por isso, é preciso analisar seu perfil e objetivo. É comum vermos investidores entrando na alta e saindo na baixa da Bolsa, por não terem conhecimento sobre a volatilidade do mercado de ações. De nada adianta acompanhar esse "efeito manada" sem ter um planejamento para isso. Mas a ideia deste artigo não é falar de renda variável.

Bom, a renda fixa não morreu. O que deixou de existir foi a comodidade do investidor em aplicar seus recursos em qualquer produto para render. Agora não somente é necessário o acompanhamento do seu orçamento mensal, mas também o destino onde estará alocado o seu patrimônio.

Vamos pensar na famosa poupança e fazer um cálculo rápido. Hoje, com a Selic em 2,25% ao ano, a poupança rende 1,58% ao ano. Ou seja, quase nada. E se você desconta a inflação, que está projetada em 1,67% em 2020, você se depara com uma rentabilidade real negativa. Sim, negativa.

Se você deixa o seu dinheiro na poupança, você desvaloriza o seu patrimônio. O mesmo ocorre em outros produtos que são oferecidos nos principais bancos do país. Isso sim é uma Perda Fixa.

Certamente, o cenário de juros baixos é desafiador e é preciso sair da zona de conforto. Não há espaço para deixar o dinheiro em qualquer lugar e sem um plano de voo, ou seja, de um planejamento financeiro.

Você entraria em um avião sem piloto? Acredito que não. Portanto, seja um bom piloto ou busque por um profissional que possa orientar e desenhar o seu plano. A estratégia de uma carteira de investimentos parte de uma diversificação de produtos de acordo com a expectativa de cenário futuro.

Isso significa que não haverá uma aplicação única e sim uma composição para um resultado de carteira e não de produto. Nesta composição, é extremamente importante ter renda fixa, desde que você escolha bons produtos.

Lembre-se de criar uma reserva de emergência no seu portfólio. Os últimos meses nos mostraram bem a importância dela, já que muitos sentiram o peso da crise no bolso. Muitos me perguntam se ainda vale a pena investir neste tipo de objetivo, já que a reserva é basicamente composta por produtos de renda fixa, que são ativos mais seguros e com liquidez imediata. Eu respondo aqui: sim!

A reserva de emergência é para proteger seu dinheiro e proteger você. Ela pode até não ser a aplicação que irá mais render na sua carteira, mas garante o seu fôlego em momentos de emergência, como o que estamos passando.

O restante da sua carteira pode ser diversificado de uma forma diferente, em um mesmo perfil conservador, por exemplo, desde que você disponibilize um prazo maior para o resgate. Afinal, tudo exige um sacrifício e no mercado financeiro não é diferente. Para você formar seu patrimônio, precisa abrir mão de algumas coisas e, para conseguir mais rentabilidade, ou você precisa correr mais risco ou disponibilizar mais prazo.

Ficou mais claro agora que a renda fixa não morreu? Ela continua viva, bem viva, e mais exigente. É preciso apenas administrar o percentual deste tipo de ativo dentro da sua carteira. Afinal, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.